O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) pediu nesta quinta-feira (23/7) explicações ao governo paulista e à Trivia Trens S.A. sobre as falhas sucessivas que afetaram as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta semana.
No despacho, o conselheiro Maxwell Borges de Moura Vieira dentro do prazo de cinco dias para que sejam apresentados esclarecimentos detalhados sobre a sucessão de ocorrências registradas no sistema de trens.
O conselheiro pede informações como o acionamento e a eficácia do plano de contingências diante das ocorrências; o plano de transição anterior ao início da operação não assistida e a forma como foi processado o atestado de que as condições de infraestrutura. Outros pontos levantados são a quantidade de pessoal para que a concessionária assumisse os serviços e o eventual termo de manifestação da concessionária quanto às suas plenas condições de operar de forma autônoma.
O TCE também quer saber quais as providências efetivas adotadas para evitar novas ocorrências. A Agência Reguladora de Transporte de São Paulo (Artesp) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também foram notificadas pelo TCE.
Na última terça-feira (21/7), a Trivia Trens assumiu em definitivo a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e o Expresso Aeroporto. O contrato de concessão assinado pela empresa tem duração de 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões de investimentos por parte da empresa.
Desde então, a concessionária acumulou seis falhas de funcionamento nos dois primeiros dias de gestão. As linhas mais afetadas foram 11-Coral e 12-Safira.
Por causa de um incêndio em um trem, a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi interrompida. Os passageiros precisaram desembarcar e caminhar sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, no meio da escuridão.
Após os problemas, a Artesp determinou que a CPTM voltará a atuar por até 90 dias em conjunto com a Trivia Trens após os três dias seguidos de falhas.
Nesta quinta, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse, nesta quinta-feira (23/7), que não irá hesitar em romper o contrato com a Trivia Trens, caso a concessionária não cumpra o previsto em contrato. Mais cedo, um incêndio em um trem operado pela empresa interrompeu o funcionamento das três linhas férreas e fez com que passageiros caminhassem sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, na zona leste de São Paulo, após desembarcarem em meio à escuridão.
“Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai ter sanções e a gente também não vai hesitar em algum momento de tirar a empresa do contrato e aplicar uma caducidade”, afirmou o governador de São Paulo, após participar do 14º Encontro de Produtores Rurais, em Ourinhos, no interior do estado.
Ver essa foto no Instagram
Um post compartilhado por Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf)
O governador também chamou de “inaceitável” o incêndio desta quinta e disse que irá investigar o que teria causado as falhas dos últimos dias. Por outro lado, afirmou que os entraves não surgiram apenas depois de a Trivia Trens assumir a operação, mas sim são resultado da falta de investimentos. “Não é um problema que começou há três dias, é um problema de muito tempo. Não era uma maravilha de linha até ontem ou anteontem e passou a ser uma linha muito ruim a partir de hoje”.
Trivia Trens comenta decisão da Artesp
Em nota, a concessionária Trivia Trens pediu desculpas pelos transtornos provocados aos passageiros e afirmou sempre ter cumprido todas as suas obrigações contratuais “de forma estruturada, transparente e cooperativa”. “A concessionária reafirma seu compromisso em investigar profundamente as causas técnicas que levaram às ocorrências e impactaram tantas pessoas nos seus deslocamentos”. disse ainda.
Leia a nota completa na íntegra:
“A Trivia Trens, concessionária responsável pela operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Expresso Aeroporto lamenta sobre a ocorrência registrada na data de hoje, que afetou uma composição entre as estações Tatuapé e Brás, e se desculpa pelos transtornos vividos por seus passageiros.
Durante toda a ocorrência de hoje, a concessionária teve como prioridade a segurança e integridade física dos passageiros e atuação precisa em debelar o foco de incêndio ocorrido, para que os danos não fossem maiores. O restabelecimento do serviço foi realizado com a maior celeridade possível e todos os recursos necessários foram empenhados prontamente.
A concessionária reafirma seu compromisso em investigar profundamente as causas técnicas que levaram às ocorrências e impactaram tantas pessoas nos seus deslocamentos.
A Trivia Trens reitera que sempre cumpriu com todas as suas obrigações contratuais em todas as fases de transição dos serviços concedidos até a presente data, de forma estruturada, transparente e cooperativa.
Este é o momento de somar esforços em favor dos passageiros, por isso, entendemos que o trabalho conjunto entre todos os agentes envolvidos fortalece a segurança operacional, a previsibilidade do sistema e a qualidade do serviço prestado à população”.
Alvo de críticas
Principal bandeira de Tarcísio de Freitas, a concessão de serviços públicos à iniciativa privada tem se tornado uma verdadeira “pedra no sapato” do governador, às vésperas do lançamento da candidatura à reeleição. A atuação de empresas privadas em São Paulo se tornou alvo de críticas reiteradas de adversários políticos.
Na tarde desta quinta (23/7), Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT e principal oponente do atual governador, comentou o incêndio em trem da Trivia e afirmou que este era resultado da “falta de gestão do governo Tarcísio”. O petista também afirmou que deve revisar contratos firmados por Tarcísio de Freitas, caso seja eleito.
Tarcísio foi ministro dos Transportes no governo Bolsonaro. Quando assumi o Ministério da Fazenda, eu e o ministro Renan Filho tivemos de rever, com acompanhamento do Tribunal de Contas, contratos assinados por ele que traziam prejuízo ao Tesouro Nacional.
Em SP, vou fazer a…
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) July 23, 2026
“Vou analisar o contrato da Sabesp, o contrato do Centro Administrativo e os contratos da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas depois da privatização”. escreveu o ex-ministro da Fazenda em publicação no X (antigo Twitter).
No início deste mês, o governador disse ter “mudado de opinião” sobre privatizar a Linha 17-Ouro do Monotrilho — que fazia parte de um pacote concedido à ViaMobilidade, em 2018, junto com a Linha 5-Lilás do Metrô. A empresa deveria assumir assim que a operação assistida fosse finalizada.
Policiais militares precisaram ajudar os passageiros a caminhar sobre os trilhos e auxiliaram no resgate dos usuários. Imagens das câmeras corporais dos agentes mostram os passageiros pularem um muro que cerca a Linha 12-Safira para deixarem a linha férrea.





