Mensagens enviadas por funcionários da Creche Luz do Brás ao pai de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, mostram que a família foi informada apenas de que o bebê havia “passado mal”. sem qualquer menção à gravidade do acidente. O bebê morreu após ficar com a cabeça presa entre uma grade e uma parede da unidade, na região central de São Paulo, na última quarta-feira (22/7).
Na troca de mensagens, obtidas pelo Metrópoles às 9h18, o número da Creche Luz do Brás enviou a seguinte mensagem ao pai: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Logo em seguida, houve uma ligação de cerca de 30 segundos entre a unidade e o responsável pela criança.
7 imagensFechar modal.1 de 7Imagem cedida ao Metrópoles2 de 7Imagem cedida ao Metrópoles3 de 7Reprodução4 de 7Bebê Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, que morreu após ficar cerca de seis minutos com a cabeça presa entre uma grade e uma parede na Creche Luz do BrásReprodução5 de 7Após morte do bebê durante uma atividade recreativa, cinco funcionários da Creche Luz do Brás passaram a ser investigados pela Polícia CivilReprodução / TV Bandeirantes6 de 7Bebê de 1 ano participava de uma atividade recreativa quando ficou com a cabeça presa na grade da creche. Cinco pessoas são investigadasReprodução / TV Bandeirantes7 de 7
Na sequência, às 9h19, uma nova mensagem foi enviada informando apenas o destino do atendimento: “UBS Mooca, UBS Mooca.” Cerca de 20 minutos depois, às 9h38, o mesmo contato escreveu “Olá”.
Às 9h44, uma nova mensagem foi encaminhada perguntando: “Olá, vocês estão indo para a UBS?”. seguida de outra ligação telefônica.
Segundo Erson de Oliveira, advogado da família, as mensagens transmitiram aos pais a impressão de que o quadro não era tão grave. “Eles mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava passando por um atendimento médico”. afirmou.
De acordo com o advogado, a forma como a família foi comunicada também será levada em consideração durante a investigação.
Na manhã de quarta-feira (22/7), um bebê de 1 ano e 4 meses participava de uma atividade recreativa na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, quando colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede.
Segundo o boletim de ocorrência, o bebê permaneceu com a cabeça presa por aproximadamente sete minutos até ser retirado por funcionários da instituição.
Após ser resgatado, o bebê foi levado para a UPA Mooca, onde recebeu atendimento médico. Apesar das tentativas, a morte foi confirmada na unidade de saúde.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). Perícias foram solicitadas ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML).
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), cinco funcionários da creche são investigados, entre eles a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário da instituição.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirmou que presta assistência à família da criança, disse colaborar com a apuração e informou que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.
Aniversário de diretora
Segundo o advogado da família, Erson de Oliveira, Abdoulaye Dieng estava sem a supervisão de funcionários quando ficou com a cabeça presa entre uma grade e uma parede. Ao Metrópoles, ele afirmou que os servidores da unidade participavam de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora no momento do acidente.
De acordo com o advogado, a comemoração acontecia no refeitório da creche e reunia funcionários da unidade. “Juntou todos os funcionários e largaram as crianças à própria sorte”. afirmou Erson de Oliveira.
O boletim de ocorrência registra que a diretora da creche nasceu em 22 de julho de 1990. Abdoulaye morreu na manhã da última quarta-feira (22/7), depois de ficar com a cabeça presa em uma grade.
Ainda segundo Erson de Oliveira, foi durante esse período de comemoração que Abdoulaye entrou em uma sala utilizada para atividades como aulas de ballet, colocou a cabeça no espaço entre uma estrutura metálica instalada em frente a um espelho e a parede, onde ficou preso por cerca de seis minutos até ser retirado por funcionários da creche.
Cinco funcionários são investigados
Após a morte do bebê Abdoulaye, a Polícia Civil passou a investigar a conduta de cinco funcionários da Creche Luz do Brás. Entre os investigados estão a diretora da unidade, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário da instituição.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é apurado pelo 8º Distrito Policial (Brás). A investigação busca esclarecer como o acidente aconteceu, qual era a responsabilidade de cada profissional no momento em que a criança ficou presa e se houve falha na supervisão do bebê.
Além dos depoimentos dos funcionários e de testemunhas, a Polícia Civil também requisitou perícia ao Instituto de Criminalística (IC), responsável por analisar o local do acidente, e exames ao Instituto Médico Legal (IML), que devem ajudar a esclarecer a causa da morte. Imagens das câmeras de segurança da creche também fazem parte da apuração.
O que diz a prefeitura
Questionada pelo Metrópoles sobre a informação de que funcionários participavam de uma confraternização no momento da morte de Abdoulaye, a Secretaria Municipal de Educação (SME) não respondeu diretamente se havia uma comemoração na unidade. Em nota, a pasta afirmou que instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso, independentemente da investigação conduzida pela Polícia Civil.
A pasta informou que, caso sejam confirmadas irregularidades, adotará as medidas cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização responsável pela administração da creche. A SME acrescentou que a sala onde ocorreu o acidente permanece interditada para análise técnica e que equipes do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (Naapa) prestam assistência à família da criança, além de oferecer acolhimento às demais crianças, aos familiares e funcionários da unidade.





