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Pelo 2º ano, Amapá é o estado mais violento do Brasil e lidera em letalidade policial, indica o Anuário da Violência

Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012
O Amapá foi o estado mais violento do Brasil pelo segundo ano consecutivo, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23).

Entre os estados, o estado se mantém como o mais violento do país, mesmo com redução de 6% na taxa de 2024 para 2025: passou de 45,2 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes para 42,5.
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O levantamento, mostra que, o município de Santana concentra a maior taxa de mortes violentas intencionais (MVI), com 47,1 por 100 mil habitantes em 2025, seguido por Macapá, com 36,1 por 100 mil habitantes. Em 2024, Santana havia registrado 54,1 mortes por 100 mil habitantes, o que indica um recuo nos números, ainda que permaneça como a cidade mais violenta do estado.
Feminicídios batem recorde no Brasil, na contramão do menor número de assassinatos em 13 anos, indica Anuário da Segurança
Além disso, o estado lidera, pelo sétimo ano consecutivo, a taxa de letalidade policial no país e apresenta alguns dos mais altos índices de violência contra mulheres, crianças e adolescentes.
O estudo elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) considera indicadores de violência em todo o país e reúne estatísticas sobre homicídios, letalidade policial, violência contra mulheres, crianças e adolescentes, entre outros crimes.
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Homicídios e letalidade policial
As taxas de letalidade segundo Unidades da Federação demonstram a diversidade de realidades que coexistem no país. Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes pelas polícias do país: 17,1 para cada 100 mil habitantes.

Violência contra mulheres (2025)
No caso dos feminicídios, o Amapá novamente lidera o crescimento da taxa (347,7%, alcançando 2,2 vítimas por 100 mil mulheres), seguido pelo Acre (74,3%, taxa de 3,2 – a mais alta do país) e por Rondônia (66%, taxa de 2,9 – a segunda maior do Brasil). As maiores reduções foram observadas no Amazonas (-31,7%), Maranhão (-26,2%) e Paraná (-20,7%).
Jovens e adolescentes
Mortes violentas intencionais (2025): taxa de 9,0 por 100 mil, segunda maior do Brasil (atrás da Bahia).
Adolescentes em medidas socioeducativas: aumento de 62,5% em 2025, após anos de queda.
Maus-tratos: taxa de 187,6 por 100 mil habitantes, muito acima da média nacional (77,4).
Abandono de incapaz: 95,0 por 100 mil habitantes, uma das maiores taxas do país.
As conclusões do Anuário de Segurança Pública de 2025:
Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres foram mortas por dia, em média;
O Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda de 8% em relação a 2024;
O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
Outros indicadores de violência contra a mulher registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025;
As dez cidades mais violentas no país ficam no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes;
Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo ocupava essa posição desde 2014;
As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%;
Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%;
Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em 2024;
A quantidade de adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%);
O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6% e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil pode bater 1 milhão de presos já em 2027;
Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido.
Violência no Amapá
Danny Calado/Rede Amazônica
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