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Porto Maravilha recebe 3,4 mil novos apartamentos em 5 anos e vê valorização de imóveis; moradores relatam desafios

Porto Maravilha recebe 3,4 mil novos apartamentos em 5 anos e vê valorização de imóveis; moradores relatam desafios
O Porto Maravilha vive uma nova fase de expansão residencial. Nos últimos cinco anos, a região recebeu 30 licenças para empreendimentos que somam mais de 12 mil unidades habitacionais, das quais 3.385 já foram entregues, principalmente no bairro de Santo Cristo.

As obras recuperaram áreas históricas, abriram espaço para o VLT, revitalizaram a Praça Mauá e estimularam novos empreendimentos imobiliários.
Criado há 16 anos, o projeto Porto Maravilha estabeleceu regras urbanísticas próprias para incentivar investimentos privados por meio da venda de potencial construtivo. Após um período de retração durante a pandemia, o mercado residencial passou a liderar a expansão da região.
A maquiadora Ariana Bassi, que acompanhou essa transformação desde o início, vê um cenário diferente atualmente.
"Já me sinto da região, parece que eu já moro aqui a vida inteira", comentou.
Edifício construído na Praça Marechal Hermes, no Santo Cristo
Divulgação/Cdurp
O crescimento também abriu oportunidades para novos negócios. O comerciante Gabriel Laureano começou vendendo alimentos em um carrinho e hoje administra um food truck, enquanto procura um espaço para abrir um restaurante na região.
Segurança
Apesar da revitalização urbana, moradores afirmam que a sensação de segurança ainda não acompanha o crescimento do bairro. O empresário Luiz Fernando Costa Rezende diz que o policiamento ostensivo é insuficiente.
"A gente vê pouco carro de polícia (.) Eu percebo aqui uma privatização na parte da segurança. Os condomínios contratam segurança privada pra fornecer essa segurança que essas pessoas que estão morando aqui precisam", disse Luiz.
Já o comerciante Caio Guerra relata que o movimento diminui à noite.
"Quando chega no horário da noite (.) o bairro fica um pouco deserto e a gente não consegue ter essa segurança", comentou.
Porto Maravilha registrou aumento de 6% nos furtos, que chegaram a 1.394 ocorrências.
Reprodução TV Globo
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, a área atendida pela delegacia da região registrou aumento de 6% nos furtos, que chegaram a 1.394 ocorrências.

Os roubos de celular cresceram 65%, enquanto os roubos de veículos aumentaram 240% em relação ao mesmo período do ano passado.
Aluguéis em alta
A valorização imobiliária também mudou o custo de vida na região. Segundo a plataforma Bel Radar, o metro quadrado em Santo Cristo valorizou 54% nos últimos cinco anos, quase quatro vezes acima da média registrada na cidade.
O empresário Luiz Fernando afirmou que a procura por imóveis na região disparou.
"Virou uma agulha no palheiro. Tem gente querendo comprar apartamento aqui para morar de imediato e não tem. Só para i futuro, 2028, 2029", comentou.
Porto Maravilha recebe 3,4 mil novos apartamentos em 5 anos e vê valorização de imóveis
Reprodução TV Globo
Luiz Fernando relatou ainda que apartamentos de um quarto já são alugados por cerca de R$ 3 mil.
"Eu moro na Zona Sul do Rio de Janeiro e é preço de Zona Sul aqui", especulou Luiz.
Para moradores antigos, o aumento dos preços também preocupa. A coordenadora de projetos Natália Caverno, que vive há quase quatro décadas na Saúde, afirma que a valorização elevou o custo de vida.
"Tudo aumentou pela procura (.) valorizou muito o Centro da cidade, ainda mais com esses condomínios esses prédios sendo construído", disse.
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O professor Bruno Rodrigues disse também que muitos moradores tradicionais têm dificuldade para permanecer na região.
"Têm muitos que são assim nascidos e criados que moram de aluguel até hoje. E os donos dos imóveis, eles não querem saber que tá sendo revitalizado, eles querem botar o imóvel mais caro. E se você tiver condições de morar ok, se você não tiver Amém", analisou Bruno.
Faltam mercados e outros serviços
Embora o número de moradores cresça rapidamente, quem vive na região afirma que o comércio ainda não acompanha a demanda. Além de supermercados, Ariana cita a ausência de equipamentos públicos.
"Falta mercado, falta escola, falta uma clínica da família".
Edifício A Noite, no Centro, será prédio residencial; terraço terá espaço aberto ao público
Divulgação
O empresário Gabriel Laureano acredita que há espaço para diversos tipos de estabelecimentos.
"Falta bastante de restaurantes (.) farmácias entre outros comércios".
O mecânico André Luiz Martins também reclama da infraestrutura.
"Água aqui é muito precário. Quem não tem uma bomba, segundo andar, terceiro andar, não tem água. Falta com muita frequência, com muita frequência os restaurantes aqui dependem de carro pipa", lembrou.
Serviços acompanharão crescimento, diz prefeitura
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, afirmou que a infraestrutura urbana do Porto Maravilha é uma das mais modernas da cidade e que a expansão dos serviços ocorre de forma gradual, acompanhando o aumento da população.
Segundo ele, "do ponto de vista de infraestrutura urbana (.) não há na cidade infraestrutura mais nova do que aquela que foi feito na região do porto".
Sobre as reclamações dos moradores, o secretário disse que existe um descompasso natural entre a chegada da população e a abertura de novos estabelecimentos.
"Onde tem demanda surge oferta".
Ele acrescentou que já há um grande supermercado em construção e afirma que a expectativa é de que a chegada de mais moradores aumente também a circulação de pessoas e a sensação de segurança.
Vista aérea da Zona Portuária e do Centro do Rio:
Alexandre Macieira/Riotur
Para a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro (IAB-RJ), Marcela Marques Abla, o sucesso da revitalização depende não apenas dos empreendimentos imobiliários, mas também da qualidade de vida oferecida aos moradores.
Segundo ela, "a gente tem que pensar na base, quem vive já o bairro ou as pessoas que estão vindo para cá".
A arquiteta lembra que o projeto original previa a construção de 10 mil unidades habitacionais populares, meta que não foi cumprida, e defende que as próximas etapas do desenvolvimento sejam construídas em conjunto com a sociedade.
Ao resumir sua visão para o futuro da região, Marcela afirmou que o Porto só será plenamente ocupado quando reunir moradia, comércio, cultura, trabalho e espaços públicos.
"É uma cidade viva que pulsa, cultura, moradia, trabalho e paisagem, tudo junto e misturado", comentou.

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