Investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Grupo Itajobi, que controla as usinas de cana-de-açúcar Itajobi, Carolo e Rio Pardo, instaurou um pedido de mediação empresarial para tentar reduzir uma dívida de R$ 3,7 bilhões.
As usinas são citadas na Operação Carbono Oculto como peças-chave da expansão dos negócios de Mohamad Hussein Mourad (leia mais abaixo), conhecido como Primo, no setor sucroalcooleiro. Segundo o MPSP, o empresário se apresentou em uma reportagem como João Mourad e sócio-proprietário da Usina Itajobi.
O ato, diz o MPSP, “evidencia a utilização de pseudônimo para ocultar sua verdadeira identidade e sua conexão com as usinas”. As empresas são conectadas a outros CNPJs, identificados como “laranjas do esquema criminoso” na investigação.
O MPSP aponta que as usinas foram compradas por meio de um fundo de investimento, que teria se comprometido a quitar dívidas e indenizar propriedades arrendadas para assumir a sociedade.
A investigação ainda afirma que as usinas do Grupo Itajobi foram usadas para movimentações suspeitas, como o envio de R$ 100 milhões para o Radford Fundo de Investimento por meio do BK Bank, fintech suspeita de lavar dinheiro do PCC.
O grupo criminoso controlado por Mourad teria ainda comprado cana-de-açúcar com sobrepreço em um esquema de sonegação de tributos. O valor inflado do insumo gerava créditos tributários que eram usados para abater impostos de outras etapas da cadeia produtiva do combustível.
Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes no mercado de combustíveis, apontado como uma das principais fontes de financiamento do PCC.
Os principais alvos são os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.
As investigações indicam que a organização criminosa atuava desde a importação e distribuição de combustíveis até postos revendedores, utilizando empresas de fachada e “laranjas” para ocultar os verdadeiros controladores dos negócios.
Além dos postos de combustíveis, o esquema utilizava fintechs, fundos de investimento e outras estruturas financeiras para movimentar bilhões de reais e dificultar o rastreamento dos recursos obtidos com atividades ilícitas.
A força-tarefa reuniu Receita Federal, Ministério Público, Polícia Federal e outros órgãos, cumprindo centenas de mandados de prisão e busca contra mais de 350 pessoas físicas e jurídicas em diversos estados, além de bloquear bens e ativos dos investigados.
A estratégia da operação é desarticular o braço econômico do PCC, retirando o controle sobre empresas aparentemente legais que serviam para lavar dinheiro, sonegar impostos e financiar a expansão da facção no mercado formal.





