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Sargento suspeito de matar capitã da PM já tinha sido expulso da corporação

Vídeo mostra momento em que sargento da PM carrega corpo de capitã até o carro
O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi exonerado da corporação em 2009 por ter omitido a informação de que havia sido apreendido na adolescência por porte ilegal de arma de fogo. Em 2015, ele foi readmitido na PM por decisão da Justiça.
De acordo com o acórdão do julgamento do caso, realizado em 2014 pela 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Eduardo Abner omitiu, ao preencher o formulário de ingresso na PM, o fato de ter sido apreendido e respondido a processos por prática de atos infracionais. Ele chegou a cumprir medida de prestação de serviço à comunidade por seis meses.
A omissão levou à exoneração do policial, que acionou a Justiça. Uma decisão de primeira instância anulou o ato, e o estado de Minas Gerais recorreu.
No entanto, o TJMG negou o pedido e determinou a reintegração de Eduardo Abner aos quadros da Polícia Militar. A Corte ainda obrigou o estado a pagar ao policial a remuneração referente ao período de afastamento.
"Não se configura razoável exigir do apelado, além da apresentação das certidões negativas de antecedentes criminais, todas devidamente apresentadas, que este declare expressamente todos os fatos já ocorridos em seu passado, em especial aqueles referentes a erros cometidos enquanto menor e dos quais recebeu o benefício da remissão e cumpriu integralmente todas as medidas socioeducativas impostas", diz um trecho do acórdão.
Em nota, a PMMG confirmou que o sargento foi exonerado "após ser submetido a um processo administrativo em razão de omitir fato jurídico relevante para ingresso na instituição" e que reingressou na corporação por ordem judicial.
O crime
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20), após levar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já morta ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. A policial apresentava múltiplas lesões pelo corpo.
Segundo o boletim de ocorrência, Michele deu entrada no hospital por volta das 21h35. A médica responsável pelo atendimento informou aos policiais que a vítima apresentava quadro de assistolia, compatível com parada cardiorrespiratória instalada há tempo considerável.
Ainda conforme o registro policial, a equipe médica identificou múltiplas lesões pelo corpo da capitã, como traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte de grandes proporções na região frontal da cabeça. Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada.
Os médicos também informaram que, pelas características observadas, estimava-se que a morte tivesse ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.
Versão do policial
Em depoimento à polícia, o sargento Eduardo Abner disse que, na noite anterior, o casal promoveu uma confraternização em casa e consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
O militar afirmou que, depois da saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.
Ainda conforme o depoimento, por volta das 12h, Michele teria caído da escada da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Eduardo disse que prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa, estancou o sangramento e a colocou para descansar. Segundo a versão dele, a mulher recusou atendimento médico porque estaria constrangida após o consumo de drogas.
O sargento afirmou que ambos dormiram à tarde e que, ao acordar, por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos. Em seguida, decidiu levá-la ao Hospital Odilon Behrens.
Em nota, a defesa do policial militar declarou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais e da apuração antes de qualquer julgamento.
Disse também confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e afirmaram que vão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.
Histórico de violência
O sargento tinha registros de violência contra mulher em 2014 e 2016, segundo a polícia.
O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados em 2016 por uma ex-companheira do militar. Em um registo de março, ela denunciou ter sido puxada pelos cabelos, arrastada até a rua, jogada no chão e atingida com um soco no rosto.
Já em setembro daquele ano, a mesma vítima procurou a polícia para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva concedida pela Justiça.
BO diz que vítima tinha múltiplas lesões. Suspeito atribui ferimentos a drogas, sexo consensual e queda da escada.
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