O Banco Master registrou ter emprestado R$ 28 milhões a empresas de Joel Feldman após a cidade baiana de Mata de São João, que tinha ele como secretário de Desenvolvimento, credenciar o Master para operar um cartão de crédito exclusivo para servidores municipais, com desconto na folha de pagamentos. Um dos empréstimos, de R$ 19 milhões, foi formalizado 27 dias após a assinatura do termo de credenciamento.
Feldman é figura central na história do Banco Master, porque intermediou a chegada ao banco do Credcesta, motor do crescimento do Master, em parceria com Augusto Lima. Na dobradinha, Feldman ficou com a rede de supermercados Cesta do Povo, que era o objeto do leilão promovido pelo governo da Bahia, e Lima com o produto bancário, a cereja do bolo.
Procurado pela coluna, Feldman disse que os empréstimos foram dentro de padrões do mercado, para financiar a aquisição de nove lojas no Estado e, depois, para rolar a dívida. “Não há qualquer relação entre as operações feitas com a varejista e minha atuação como secretário em Mata de São João”. alegou.
Relação começou com Credcesta
Augusto Lima nunca apareceu formalmente na transação que levou o Credcesta ao Master, mas suas digitais são amplamente conhecidas e foram admitidas por Feldman. “Eu era presidente da associação de supermercados. Nós não nos conhecíamos, ele não entendia nada de varejo, tinha um interesse no Credicesta, eu já tinha supermercados”. explicou.
No papel, quem arrematou em 2018 o Cesta do Povo – uma rede estatal de supermercados então com 49 lojas – foi a NGV Empreendimentos e Participações, empresa de prateleira fundada um ano antes com capital social de R$ 500, elevado para R$ 1 milhão pouco antes do leilão.
A NGV tinha dois sócios (no papel). Um deles, o espanhol Ignacio Morales, anunciado como o sócio capitalista do negócio. O outro era Joel Feldman, então presidente da Associação Bahiana de Supermercados (ABASE) e dono de uma pequena rede com lojas no litoral baiano e na região do Recôncavo. Na época, Feldman era secretário de Mata de São João, cidade de forte contraste entre o litoral rico, voltado a público VIP (lá fica a Costa do Sauípe) e a sede pobre.





