Larissa Amorim morreu 59 dias depois de uma decisão judicial que determinava o fornecimento imediato de um remédio que nunca chegou. Ela tinha 29 anos, dois filhos e enfrentava uma leucemia desde a infância. A medicação indicada pelos médicos, parte do tratamento de imunoterapia, já havia passado por avaliação técnica do governo federal e sido incluída nos protocolos clínicos do Sistema Único de Saúde (SUS).
5 imagensFechar modal.1 de 5Larissa Amorim foi diagnosticada com Leucemia Mieloide Crônica (LMC) aos seis anos de idadeArquivo pessoal2 de 5Larissa tinha dois filhos: Benjamim, de 8 anos, e Sophia, de 7Arquivo pessoal3 de 5Larissa, o marido e os filhosArquivo pessoal4 de 5Larissa AmorimArquivo pessoal5 de 5Larissa Amorim e o marido, MurilloArquivo pessoal
Mesmo assim, ela faleceu em maio, sem ter acesso ao tratamento. Casos como o de Larissa levaram a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) a protocolar uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria-Geral Da República para que apurem falhas “estruturais e reiteradas” que impediriam pacientes com câncer de acessar tratamentos reconhecidos pelo próprio Estado como eficazes, seguros e necessários.
O Metrópoles questionou o Ministério da Saúde sobre o atraso na entrega do medicamento a Larissa Amorim e a representação protocolada pela Abrale, mas não obteve resposta sobre este último. O ministério apenas se limitou a informar que “adotou todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial que determinou a oferta do medicamento. Diante da indisponibilidade imediata do medicamento, a pasta solicitou autorização judicial para realização do depósito judicial, mas não obteve resposta”.
Também afirmou que o blinatumomabe, medicamento pleiteado pela paciente, foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), “não abrangendo o quadro clínico da paciente mencionada”, apesar de a decisão liminar pontuar que Larissa era portadora de Leucemia Linfoblástica Aguda B, quadro que teria evoluído de uma Leucemia Mielóide Crônica (LMC), diagnosticada quando ela ainda era criança.
A imunoterapia
Enquanto a quimioterapia destrói as células cancerígenas ao alterar o seu DNA, a imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater essas células. É um nome amplo que engloba diferentes classes de remédios. “Todo tumor, seja ele oncológico geral ou hematológico, tem por base, em maior ou menor grau, levar a um desarranjo no sistema imunológico. Então, ele tem mecanismos que ele se esconde, e a imunoterapia faz com que fique mais aparente”, explica o médico Rafael Gaiolla, hematologista da Faculdade de Medicina da Universidade Estadul Paulista (Unesp) Botucatu.
Larissa Amorim recebeu o diagnóstico de Leucemia Mieloide Crônica quando tinha seis anos de idade. Nascida em Vitória da Conquista, na Bahia, ela veio a São Paulo para fazer o tratamento com o apoio de entidades filantrópicas de combate ao câncer infantil. Durante mais de duas décadas, a doença foi controlada, com a ajuda de um inibidor. Foi nesse período que ela conheceu o marido, Murillo, com quem dois filhos, Benjamim, de 8 anos, e Sophia, de 7.





