Falta de atendimento, medo e desinformação ameaçam animais silvestres na região
A fauna silvestre da região de Sorocaba (SP) enfrenta um duplo desafio para sobreviver: a falta de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) local e o avanço da violência provocada pelo medo e pela desinformação humana. Espécies como sapos, cobras, gambás e aranhas são frequentemente mortas por moradores que desconhecem o papel vital desses animais no equilíbrio da natureza.
O preconceito contra esses animais ganhou força até nas redes sociais com memes que ironizam o hábito cruel de jogar sal em sapos e lesmas. Atualmente, a unidade de resgate e reabilitação mais próxima de Sorocaba é o Núcleo da Floresta, uma Organização da Sociedade Civil (OSC) localizada em São Roque (SP), o que torna o socorro a bichos feridos ainda mais complexo.
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Sapo cururu na natureza
oecophylla/iNaturalist
Em entrevista ao g1, a médica veterinária Paula Nochelli Prata explicou que a repulsa visual faz com que a população ignore os benefícios ecológicos trazidos por espécies silvestres e urbanas.
"Eles são essenciais para o controle de pragas e, além disso, dispersam sementes, polinizam plantas ou servem de alimento para outros animais. Quando há a eliminação dessas espécies, acabamos interferindo no funcionamento do ecossistema como um todo", explica.
As lagartixas, conhecidas por parecem estar sempre sorrindo, são grandes aliadas dentro de casa. "Elas ajudam no controle de insetos como mosquitos, baratas e traças", complementa Paula.
Enquanto isso, as serpentes auxiliam no controle da população de ratos. Já os sapos, pererecas e aranhas reduzem naturalmente a quantidade de mosquitos e outros insetos, de acordo com a veterinária.
Sem centro de reabilitação
Além disso, segundo Paula, a falta de estruturas adequadas na região dificulta o encaminhamento de animais silvestres e faz com que muitos moradores acabem assumindo os cuidados por conta própria, incluindo gastos financeiros. Confira no vídeo abaixo.
moradores de Sorocaba arcam com resgates de animais silvestres
"É necessária urgentemente a criação de um projeto voltado ao recebimento de animais de vida livre na região. As cidades acabaram misturando a vida urbana com a vida silvestre e, hoje em dia, é comum encontrar maritacas, urubus, carcarás, entre outros animais, em diferentes municípios", explica.
Segundo a profissional, há anos se discute a necessidade de suporte financeiro do poder público para o cuidado desses animais. Leia a matéria completa sobre o tema aqui.





