Por que a hipótese de estupro?
Na segunda-feira, quando a bebê morreu, a Secretaria da Segurança Pública disse que os primos presos foram “autuados em flagrante por suspeita de envolvimento em uma ocorrência de estupro de vulnerável seguido de morte”.
“Conforme as primeiras informações, uma bebê, de 10 meses, deu entrada em um hospital, onde foi a óbito. Na unidade médica foi constatado o crime sexual contra a vítima”, complementou o primeiro posicionamento do órgão.
Após a conclusão do laudo pericial, a Secretaria emitiu um novo posicionamento. “A Polícia Civil [.] informa que as prisões em flagrante dos dois homens, de 22 e 26 anos, foram baseadas na apresentação do Protocolo de Encaminhamento de Corpos das Unidades de Saúde para a Coordenadoria de Medicina Legal da Pefoce”, disse a pasta.
“O documento, produzido pelo hospital particular para onde a bebê foi levada e no qual constava a informação de que a criança havia sido assistida por quatro médicos de emergência pediátrica, além de dois cardiologistas, apontava que após o óbito foi evidenciada laceração anal, e ao final, a indicação de suspeita de óbito por asfixia e abuso sexual”, explicou.
Assim, a investigação conduzida pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) concluiu tratar-se de homicídio culposo, descartando com base nos laudos periciais a ocorrência de violência sexual contra a criança.
Morte da bebê
A bebê morreu na casa onde Ray morava. A mãe da criança estava no local no momento em que a morte aconteceu e acreditou, inicialmente, que a filha estivesse engasgada. Por isso, chamou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Como o socorro não chegou, ela decidiu levar a bebê a uma unidade de saúde por conta própria.
"A morte foi por asfixia, justamente a tese defensiva de que Levy, primo de Ray, [.] esmagou a criança com seu peso corporal ao deitar na cama, embriagado. O que agora deve mudar completamente o rumo da investigação e ser tratado como um homicídio culposo, ou seja, quando não há a intenção de matar", comentou Gleicy Kelly Leitão, advogada de Ray (veja no vídeo acima).
Equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) atenderam a ocorrência e participam da investigação.
Em nota, a defesa da mãe da bebê, representada pelo advogado Weryd Simões, disse que "permanecerá acompanhando rigorosamente as investigações e adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para assegurar que a verdade prevaleça, que a memória [da criança] seja respeitada e que os responsáveis pela disseminação de notícias falsas respondam na forma da lei".
Suspeitos presos
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou, na noite desta sexta-feira (17), que "os dois envolvidos no caso encontram-se presos. Eles passaram por audiência de custódia na última terça-feira (14/07), ocasião em que a prisão em flagrante foi convertida em preventiva".
"Nesta sexta-feira (17/07), novos documentos foram juntados aos autos e serão analisados pelas instituições que integram o Sistema de Justiça", complementou o TJCE, sem dar mais detalhes sobre os documentos.
"Em observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não é possível divulgar outras informações, uma vez que o caso envolve criança e está protegido por sigilo legal", informou o Tribunal.
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