O que mostra a pesquisa Quaest após a briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) mostra que o percentual de eleitores indecisos sobre o voto no 1º turno aumentou de 5%, em maio, para 11%.
Esse movimento coincide com a tendência de queda de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa, que passou de 33% das intenções de voto, em maio, para 28% agora. O presidente Lula (PT) lidera com 40%, em patamar estável nos últimos meses.
O que houve em maio: a revelação das conversas em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o que a pesquisa mostra é que as intenções de voto de Flávio não migraram nem para Lula — embora haja melhora na avaliação do governo —, nem para os demais candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Para Nunes, esse eleitorado começou a questionar se o senador ainda representa a melhor alternativa para a direita. "Essa direita não bolsonarista começa a repensar: 'Será que é mesmo esse o melhor caminho? Essa dúvida começa a influenciar também o eleitorado bolsonarista."
Pesquisa mostra mudança na convicção de voto em Flávio Bolsonaro
Segundo o diretor da Quaest, a dúvida dos eleitores de direita em relação a Flávio fica evidente quando a pesquisa mede o grau de convicção do voto.
Entre os entrevistados que afirmam votar no senador, o percentual dos que admitem a possibilidade de mudar opinião passou de 30% em junho para 37% em julho.
Já o percentual dos que afirmam ter uma decisão definitiva saiu de 70% para 62%.
Entre os eleitores de Lula, ocorreu o movimento contrário: a convicção de voto variou de 71% em junho para 77% em julho, enquanto o percentual dos que dizem que ainda podem mudar de opinião era de 29% e agora é de 23%.
"A pesquisa captura um aquecimento pró-Lula e um relativo esfriamento para Flávio. A gente está observando quase um processo de transição de opinião pública. Mas é sempre importante lembrar que pesquisa é um termômetro do momento", disse Nunes.
Lula melhora aprovação, mas se aproxima de teto
Nos últimos quatro meses, a aprovação do governo Lula aumentou cinco pontos percentuais, de 43% em abril para 48% em julho.
Para o diretor da Quaest, isso é consequência do programa Desenrola 2.0, que reduziu o número de brasileiros endividados; da expectativa criada pela discussão sobre o fim da escala 6×1; e pelo impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Esses fatores consolidam a vantagem de Lula nas simulações com todos os pré-candidatos, mas, segundo Nunes, o petista alcançou um teto. "Mesmo aumentando a aprovação do seu governo e tendo a rejeição reduzida, isso não se transforma em intenção de voto", disse o diretor.
Lula chegou a 40% em julho na pesquisa de 1º turno e permanece praticamente nesse patamar desde fevereiro, quando tinha 38% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Nos cenários de segundo turno, o presidente aparece com cerca de 45% contra todos os adversários simulados, índice que também se mantém estável nos últimos cinco meses.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação





