Alienação parental cresce 42% entre 2023 e 2025 nas regiões de Campinas e Piracicaba
Uma mãe de Campinas (SP) enfrentou um processo por alienação parental mesmo após o ex-marido passar nove meses sem entrar em contato com o filho do casal. O caso terminou em acordo judicial, que acrescentou um dia a mais na convivência quinzenal entre o pai e o menino de cinco anos.
🔎 A alienação parental ocorre quando um dos responsáveis influencia a criança para rejeitar o outro lado ou omite informações importantes sobre a vida do menor.
A mulher, que preferiu não ser identificada, foi alvo de um processo de guarda compartilhada em que o ex-marido a acusava de alienação parental e humilhação, alegando sofrer hostilidade por parte dela. Em contrapartida, a mãe afirmou que o distanciamento partiu do próprio genitor.
"Ele foi pouco presente nessa primeira infância do nosso filho, inclusive em 2024 ele se afastou por nove meses. O nosso filho implorava para pelo menos uma ligação, uma mensagem. E ele entrou com o processo de alienação parental, sendo que na verdade quem se afastou da criança foi ele"
Esse relato faz parte de um aumento de mais de 40% nas ações judiciais sobre alienação parental registradas entre 2023 e 2025 nas cinco maiores cidades da região de Campinas, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Aumento de processos
Em outro caso na região, um pai que se separou há mais de 10 anos disse ser vítima de manipulação por parte da ex-mulher, além de relatar suspeitas de violência contra a criança.
"Eu sou privado de ver ele na escola, de ver os autos médicos. [.] O conselho tutelar não me dá respostas, a delegacia não me trouxe respostas e a alienação parental está acontecendo de todos os lados", afirmou o homem.
O número de ações na Justiça cresceu nos últimos anos, com Campinas concentrando mais da metade dos novos processos na região.
Aumento local: em 2024, a cidade registrou 29 aberturas de processos;
Proporção: em 2025, o município foi responsável por 33% do total de casos regionais.
Demora e punições
Imagem de arquivo de crianças brincando.
Reprodução/EPTV
Para o presidente da Associação Brasileira pela Convivência Equilibrada e Combate à Alienação Parental (Abracecap), Leandro Nagliate, a demora do Judiciário é o maior desafio na resolução desses conflitos familiares.





