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EUA: deputado questiona se CIA ocultou arquivos sobre ET de Varginha

Belo Horizonte – Trinta anos após o episódio que ficou conhecido mundialmente como o Caso do ET de Varginha, o assunto voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O deputado republicano Eric Burlison protocolou pedidos formais à Agência Central de Inteligência (CIA) e ao Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) para que os órgãos realizem uma ampla busca por documentos relacionados ao incidente ocorrido em janeiro de 1996, em Minas Gerais.
O parlamentar quer saber se existem registros sobre voos norte-americanos, troca de informações com autoridades brasileiras e até possíveis transferências de materiais envolvendo o governo dos Estados Unidos.
O pedido do parlamentar norte-americano se junta a outras declarações polêmicas. Nos últimos meses o Caso Varginha tem ganhado os holofotes novamente com declarações de famosos como Steven Spielberg, Aldo Rebelo e do neurocirurgião Ítalo Venturelli, que afirma ter visto o ET.

O pedido não afirma que houve participação dos Estados Unidos no caso nem valida as alegações que circulam há décadas sobre o suposto resgate de uma criatura extraterrestre. Segundo o congressista, o objetivo é verificar se existem registros oficiais que possam esclarecer se órgãos do governo americano tiveram algum tipo de envolvimento ou conhecimento sobre os acontecimentos.
Nas cartas, Burlison argumenta que o Congresso possui prerrogativas de fiscalização mais amplas do que aquelas aplicadas aos pedidos feitos por cidadãos por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), razão pela qual solicita uma nova análise dos arquivos.
Pedido surgiu após resposta da CIA à solicitação via FOIA
O novo requerimento tem como base um pedido de acesso à informação apresentado anteriormente à CIA, identificado como FOIA F-2023-00442.
Em janeiro de 2025, a agência respondeu utilizando uma chamada resposta “Glomar&#8221. mecanismo jurídico pelo qual nem confirma nem nega a existência de documentos sobre determinado assunto. A CIA justificou a decisão afirmando que a simples confirmação da existência ou inexistência desses registros estaria protegida por dispositivos legais relacionados à segurança nacional e à proteção de fontes e métodos de inteligência.
Para Burlison, essa resposta não impede que o Congresso solicite uma revisão mais ampla dos registros históricos.

O que o deputado pediu à CIA
Na carta enviada ao diretor da agência, o parlamentar solicita que seja realizada uma nova busca em todos os sistemas, arquivos e setores que possam conter informações relacionadas ao período entre 14 e 28 de janeiro de 1996.
Entre os principais pedidos estão:

realização de uma nova busca em arquivos atuais e históricos da CIA;
preservação de todos os documentos relacionados ao tema;
identificação de registros sobre voos do governo dos Estados Unidos para o Brasil durante o período;
informações sobre possíveis transferências, armazenamento ou análise de materiais vindos do Brasil;
registros de cooperação entre agentes americanos e autoridades brasileiras;
documentos internos, memorandos, cabos diplomáticos e análises produzidas posteriormente;
entrega dos documentos ao Congresso, incluindo anexos classificados quando necessário;
explicação detalhada para qualquer documento que permaneça sob sigilo.

O que Burlison pediu ao FBI
Ao FBI, o congressista fez um pedido ainda mais amplo, solicitando que a agência verifique se existem interesses investigativos relacionados ao caso e preserve qualquer documentação existente.
Entre as solicitações encaminhadas estão:

verificar se existem investigações abertas ou encerradas sobre o episódio;
localizar registros em todos os sistemas do FBI;
preservar documentos, comunicações, relatórios e arquivos eletrônicos;
identificar eventual participação de cidadãos americanos, militares, contratados ou aeronaves registradas nos Estados Unidos;
verificar possíveis registros sobre transporte de materiais provenientes do Brasil;
investigar se universidades, laboratórios nacionais, centros de pesquisa ou empresas contratadas pelo governo americano receberam qualquer material relacionado ao caso;
identificar eventual destruição, ocultação ou transferência de documentos;
realizar coordenação com outras agências federais;
apresentar um relatório e uma sessão informativa ao Congresso.

Transparência sobre “fenômenos anômalos” é argumento central
Nas cartas, Burlison afirma que o pedido faz parte do esforço da força-tarefa criada para revisar documentos históricos relacionados aos chamados Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs).
Segundo o parlamentar, o objetivo é garantir que registros considerados historicamente relevantes não permaneçam inacessíveis ao Congresso por causa de classificações de sigilo, erros de indexação, contratos governamentais ou mudanças na custódia dos documentos.
Ele também cita iniciativas recentes do governo americano voltadas à ampliação da transparência sobre arquivos envolvendo UAPs como justificativa para uma nova revisão do material.
Quem é Eric Burlison
Eric Burlison é deputado republicano pelo estado do Missouri e integra a força-tarefa criada pela Câmara dos Representantes para revisar documentos considerados sensíveis pelo governo federal.
Nos últimos anos, o parlamentar se tornou um dos principais defensores da divulgação de informações relacionadas aos UAPs. Em 2024, pediu a criação de um comitê específico sobre o tema e, posteriormente, apresentou propostas legislativas voltadas à divulgação de documentos governamentais relacionados a fenômenos aéreos não identificados.
Eric Burlison protocolou pedidos formais à CIA e ao FBI para que as agências realizem uma ampla busca por documentos
Sua atuação, porém, também gerou críticas. Em 2025, Burlison participou da análise das chamadas “múmias de Nazca&#8221. posteriormente apontadas por diversos pesquisadores como uma fraude. Em outra ocasião, apresentou imagens que, inicialmente, foram associadas a um possível UAP, mas análises posteriores indicaram que o objeto provavelmente era um balão meteorológico ou outro artefato convencional.
O que foi o Caso Varginha
O Caso Varginha ocorreu em janeiro de 1996 e se tornou um dos episódios mais conhecidos da ufologia brasileira.
Na época, moradores relataram a queda de um objeto não identificado e a presença de uma criatura de aparência incomum nas cidades de Varginha e região. Três jovens afirmaram ter visto um ser de pele marrom, olhos grandes e aspecto estranho, relato que rapidamente ganhou repercussão nacional e internacional.
Testemunhas do suposto ET de Varginha
Também surgiram relatos de intensa movimentação militar, supostas capturas de criaturas e alegações de que materiais teriam sido recolhidos e, posteriormente, enviados para análise.
As Forças Armadas e as autoridades brasileiras sempre negaram que tenha ocorrido qualquer captura de ser extraterrestre ou recuperação de nave alienígena. Ao longo das últimas três décadas, diversas investigações independentes, documentários, livros e programas de televisão mantiveram o episódio em evidência, sem que tenha surgido uma prova oficial confirmando as alegações.
Agora, três décadas depois, o caso volta ao debate internacional após o pedido de um congressista norte-americano para que CIA e FBI revejam seus arquivos e informem ao Congresso se existem registros relacionados ao episódio ocorrido em Minas Gerais.

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