O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa ao final de sua participação na cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026
REUTERS/Yves Herman
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida entra em vigor em 22 de julho.
Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a nova taxa atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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A conclusão do processo vem após um ano de negociações entre Brasília e Washington. Como g1 mostrou, o governo brasileiro realizou diversas reuniões com representantes americanos, incluindo encontros nas últimas semanas, mas não conseguiu reverter a aplicação das tarifas.
Apesar do alcance da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os EUA ficaram fora da nova cobrança.
Agora no g1
Veja abaixo os principais itens na lista de isenções:
Carne bovina
Café
Laranjas e sucos de laranja
Petróleo bruto e gás natural
Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais
Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico
Semicondutores e máquinas para sua fabricação
Peixes e crustáceos
Certos produtos de madeira tropical
Mel orgânico
Ferro-gusa
Veja abaixo os principais itens sujeitos a tarifa de 25%:
Etanol
Máquinas agrícolas
Vestuário Maquinário elétrico
Calçados
Ferramentas de jardinagem
Equipamentos de mineração
Papel
Açúcar orgânico
Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo)
A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA.
Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas.
A nova cobrança ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio.
Veja os detalhes na reportagem abaixo.
Nova tarifa se soma a medidas anteriores dos EUA
A aplicação da tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros faz parte de uma sequência de medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump desde o início de 2026.
Além da nova tarifa, Washington manteve tarifas específicas para determinados setores com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, principalmente produtos industriais, como itens de ferro e aço, alumínio, cobre, máquinas, equipamentos, autopeças e veículos.
As alíquotas da Seção 232 variam conforme o produto e a classificação tarifária americana. Em alguns casos, produtos de aço, alumínio e cobre chegaram a ter tarifas adicionais de 50%, enquanto outros derivados desses metais estavam sujeitos a cobranças específicas, calculadas conforme o tipo de mercadoria e o conteúdo desses materiais.
A nova tarifa anunciada nesta quarta-feira foi criada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada pelos EUA para investigar e responder a práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses americanos.
Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os americanos.
🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.
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Reuters/Daniel Becerril





