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O que está em jogo em possível novo tarifaço dos EUA sobre o Brasil

A expectativa do governo brasileiro e do setor produtivo é de que os Estados Unidos (EUA) anunciem nesta quarta-feira (15/7) se vão ampliar o tarifaço sobre produtos brasileiros, um movimento que pode atingir uma fatia relevante das exportações do país.
A decisão ocorre em meio à escalada de tensões comerciais e pode consolidar um novo ciclo de barreiras contra produtos produzidos no Brasil.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4 mil produtos podem ser atingidos. Juntos, eles representam US$ 14,9 bilhões em exportações aos EUA, um dos principais destinos das exportações brasileiras.

Ferro-gusa não ligado;
Açúcar de cana em forma sólida;
Álcool etílico não desnaturado;
Tabaco curado por fumaça ou processado; e
Hidróxido de alumínio.

O governo americano sustenta que as medidas fazem parte de uma estratégia para proteger sua indústria e corrigir práticas consideradas desleais no comércio internacional.
As investigações abertas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) envolvem diferentes frentes e incluem, por exemplo, discussões sobre padrões comerciais e questões relacionadas a regras trabalhistas.
Do lado brasileiro, a estratégia tem sido tentar evitar a escalada do conflito. O governo defende que as tarifas prejudicam os dois lados, já que boa parte do que o Brasil exporta é utilizada dentro da própria indústria americana.
Novos mercados
Mesmo antes da decisão desta semana, o cenário já vinha provocando mudanças no comércio exterior brasileiro. Desde o primeiro ciclo de tarifas imposto pelos Estados Unidos, empresas passaram a buscar novos destinos para suas exportações, em uma tentativa de reduzir a dependência do mercado americano.
A estratégia inclui ampliar vendas para países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, além de diversificar clientes e produtos.
Esse movimento não elimina os efeitos de novas barreiras, mas tem ajudado a amortecer impactos e a tornar o Brasil menos vulnerável a decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais.
4 imagensFechar modal.1 de 4Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald TrumpRicardo Stuckert / PR2 de 4Novo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos reacende discussões sobre tarifas e leva governo e Congresso a avaliarem estratégias de reação à proposta norte-americana de taxar produtos brasileirosRicardo Stuckert/PR3 de 4Lula e Trump em encontro na Casa BrancaRicardo Stuckert/Presidência da República
4 de 4Lula e Trump em encontro na Casa BrancaReprodução/ Ricardo Stuckert/ PR

Entenda o novo tarifaço americano

Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta se vão ampliar as tarifas contra produtos brasileiros, após acusação de práticas econômicas desleais;
Cerca de 4 mil itens exportados pelo Brasil podem ser atingidos, somando cerca de US$ 14 bilhões em vendas;
A sobretaxa pode chegar a até 25%, ou mais, a depender da combinação com outras medidas e a indústria deve ser a mais afetada, especialmente setores que vendem insumos para fábricas americanas;
O governo tenta negociar, enquanto empresas aceleram a busca por novos mercados fora dos EUA.

Cronologia do tarifaço

2 de abril de 2025 – O presidente americano, Donald Trump, anuncia a taxação de 10% para diversos países;
9 de abril de 2025 – Após reação dos mercados, Trump adia por 90 dias a aplicação de parte das tarifas recíprocas para diversos parceiros comerciais;
Maio de 2025 – Brasil intensifica negociações e representantes do governo brasileiro iniciam conversas com autoridades americanas e com o setor privado para tentar reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações;
Junho de 2025 – Trump assina uma ordem executiva para ampliar tarifas de aço e alumínio exportados de 25% para 50%;
Julho de 2025 – O presidente americano envia uma carta ao Brasil ameaçando taxar o país em 50%. Como justificativa, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que há época estava sendo julgado por tentativa de golpe de Estado;
30 de julho de 2025 – Trump oficializa tarifas de 50% contra produtos brasileiros, no entanto, apresentou uma lista de isenção;
6 de agosto de 2025 – Vigor da taxação de 50%; composta por uma sobretaxa de 40% aos 10% anunciados inicialmente;
Setembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, Trump disse que “rolou um clima” entre eles;
Outubro de 2025 – Os presidentes conversaram por telefone sobre o tarifaço e marcaram de continuar as discussões;
Novembro de 2025 – Trump assinou uma ordem executiva retirando as sobretaxas de 40%;
Fevereiro de 2026 – A Suprema Corte americana considerou ilegais as tarifas aplicadas pelo governo Trump e reverteu a decisão;
Junho de 2026 – Uma investigação contra práticas comerciais brasileiras conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de tarifas de 25%;
Junho de 2026 – Uma investigação contra países que possuíam mão de obra escrava sugeriu a imposição de taxas de 12,5% contra o Brasil, totalizando 37,5%.
15 de julho de 2026 – Prazo final para o governo americano decidir se vai ou não taxar o Brasil, de acordo com a sugestão do USTR.

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