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‘Heróis’, ‘notáveis’ e ‘amigos’: PF detalha pagamentos volumosos a agentes públicos, que recebiam apelidos dos fraudadores do INSS

A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório da primeira investigação da Operação Sem Desconto, o repasse de 'valores corriqueiros' a agentes públicos. Os pagamentos totalizaram, de acordo com a PF, pelo menos R$ 24,6 milhões.

Ainda de acordo com o documento da PF, a "alta administração do INSS e políticos essenciais recebiam propinas volumosas e recorrentes", denominadas internamente como pagamentos aos "Heróis", "Notáveis" ou "Amigos".

"A corrupção era o mecanismo de blindagem institucional indispensável para garantir a boa fluidez do esquema. O pagamento de valores indevidos a estes altos gestores era necessário porque, sem o apoio deles, seria impossível continuar com uma fraude de tamanha magnitude, que envolvia mais de 600mil vítimas e gerava milhares de reclamações judiciais e administrativas" – diz relatório da PF.

O documento, 48 indiciamentos, foi apresentado pela PF ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator das investigações, na sexta-feira (10).

Agora, as conclusões serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que é quem decide se apresenta a denúncia, pede o arquivamento do caso, ou solicita novas diligências.
Italiano, Itália ou I O relatório da PF, a que o g1 teve acesso, mostra ainda que os nomes para os quais eram direcionados os pagamentos ficavam expostos na prestação de contas feitas por Carlos Roberto Ferreira Lopes e por Cícero Marcelino de Souza Santos, da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

Troca de mensagens demonstraram a existência de repasse de valores corriqueiros para diversos agentes públicos
Reprodução
"Dentre estes nomes, havia referência a ITALIANO, ITALIA ou I, identificado como sendo o Presidente do INSS, ALESSANDRO ANTONIO STEFANUTTO (.) As mensagens trocadas entre CICERO e CARLOS LOPES, revelam (como já explicado) que o Presidente da CONAFER era quem tinha o domínio do fato e determinava os pagamentos indevidos".

Carlos Roberto Ferreira Lopes foi indiciado pela PF e responderá por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. Agora no g1 -Em atualização

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