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‘Irradiava alegria, depois ficou isolado e agressivo’, diz mãe que busca responsabilizar bets por morte do filho

Mãe busca responsabilizar bets e influenciadores após morte do filho em Uberlândia
O filho alegre, sociável e cheio de planos que Vânia de Souza Borges conhecia foi mudando aos poucos. Primeiro vieram as apostas online. Depois, o isolamento, as dificuldades financeiras e comportamento depressivo.

"O Rafael era um menino doce, generoso, irradiava alegria por onde passava. Depois ficou isolado, agressivo, já não saía mais com os amigos. Trabalhava muito, mas todo o dinheiro ia para as apostas. Ver um filho perder tudo dessa forma cortava o meu coração", contou ao g1.
Segundo Vânia, a mudança aconteceu de forma silenciosa. No início, Rafael dizia que estava ganhando dinheiro. A família aconselhava que ele parasse, mas as apostas deixaram de ser uma diversão para se tornarem uma rotina.
Contou ainda que o filho trabalhava muito, mas já não conseguia construir patrimônio nem realizar os próprios sonhos. "Ele tinha uma moto linda e perdeu. Já não comprava mais nada para si. Trabalhava muito, mas eu ficava indignada porque todo o dinheiro ia para o vício. Ele não conseguia guardar nada."
A mãe acredita que a facilidade de acesso às plataformas tornou o problema ainda mais grave.
"Hoje, apostar é muito mais fácil. Basta ter um celular na mão, disponível 24 horas por dia. Antigamente a pessoa precisava sair de casa para jogar. Agora existe, um imediatismo muito grande e uma facilidade enorme para apostar", comentou.
Noites em claro dedicadas às apostas
Com o agravamento da dependência, as noites passaram a ser ocupadas pelas apostas. Vânia lembrou que acordava de madrugada e encontrava o filho jogando no celular. Ela pedia que ele desligasse a tela, tentava convencê-lo a parar, mas as conversas quase sempre terminavam em discussões.
"Quando percebi que a situação estava se agravando, comecei a conversar com ele. Só que ele não aceitava que tinha um problema. Passava noites inteiras jogando e eu acordava de madrugada, implorava que ele parasse. Quando perdia dinheiro, ficava extremamente nervoso", relatou.

Em uma dessas brigas, Rafael deixou a casa da mãe e foi morar com a avó. "Aquilo me machucou", completou. Ainda de acordo com a mãe, o jovem chegou a perder o emprego porque passava as noites apostando e começou a faltar ao serviço.

Vânia de Souza e o filho Rafael
Arquivo pessoal
Sonhos foram interrompidos
Ainda de acordo com a família, ele chegou a vender uma motocicleta seminova avaliada em R$ 8 mil, perdeu suas economias e passou a esconder da família a gravidade da dependência.
Pouco antes de morrer, Rafael havia enviado um áudio a um amigo dizendo que já não conseguia controlar o vício em apostas online, além de relatar as recorrentes perdas financeiras.

"Depois descobri que, naquela madrugada, ele fez transferências para plataformas de apostas. Foi quando concluí que provavelmente perdeu tudo o que tinha conseguido economizar."
Ela afirmou ter obtido junto a um banco digital a informação de que, às 1h48 do dia da morte, Rafael realizou uma transferência de R$ 30 para uma conta vinculada à empresa responsável pelo chamado "Jogo do Tigrinho".

Vânia contou que o filho dizia estar guardando dinheiro para abrir um lava a jato, mas acredita que o valor também foi perdido para as apostas. Também foram encaminhados pedidos de esclarecimento à Polícia Civil de Minas Gerais sobre eventual instauração de inquérito. Mas não houve respostas até a última atualização desta reportagem.

Desde a morte do filho, Vânia de Souza Borges transformou o luto em uma busca por respostas e responsabilização sobre os impactos das apostas online
Reprodução/Redes Sociais
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