Quem Vive Ali: conheça os moradores de um castelo medieval na França
Depois de conhecer diferentes formas de viver no Brasil e em outros países, a série Quem Vive Ali. do Fantástico, desembarcou no norte da França para responder a uma pergunta que parece saída de um conto de fadas: como é viver dentro de um castelo?
O destino é o Castelo de Bienassis, uma fortaleza cuja construção começou no século 12, durante a Idade Média. Hoje, o imóvel pertence à família Huguet e continua sendo usado como residência.
A casa de pedra, cercada por muralhas e torres, foi construída em uma época marcada por invasões e disputas por terras na Europa. Naquele período, famílias nobres erguiam fortalezas para proteger seus moradores.
Uma casa com séculos de história
Bienassis passou por diferentes proprietários ao longo dos séculos. Há quase 150 anos, porém, permanece com a mesma família. Durante a visita, Nathalie Huguet, uma das proprietárias, apresenta ao repórter Murilo Salviano parte da história do castelo.
Nathalie herdou o castelo da madrinha, que não teve filhos. Até então, ela e o marido viviam na região de Paris.
Na parede está o retrato do trisavô dela, que era navegador. Depois de passar anos no mar, ele decidiu se estabelecer na propriedade com a família.
Foi ele quem reuniu objetos trazidos de diferentes partes do mundo, como um vaso de Nápoles, na Itália, e uma mesa de Pequim, na China. Outro ambiente marcante é a antiga sala da guarda, que, séculos atrás, funcionava como um ponto de encontro.
'Quem Vive Ali?': família francesa trocou a cidade para morar em castelo medieval do século 12.
Reprodução/TV Globo
Segundo Nathalie, era ali que cavaleiros e moradores se reuniam para conversar, negociar terras e resolver assuntos importantes.
Pelas paredes também permanecem lembranças de outros períodos históricos. Animais empalhados recordam uma época em que a caça fazia parte da rotina da região.
Já do lado de fora, uma inscrição homenageia franceses executados durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Com a indenização paga após o conflito, os avós de Nathalie compraram um fogão a lenha que, na época, era considerado uma grande novidade.
Mais de mil metros quadrados para cuidar
Era aqui onde os cavaleiros se reuniam.
Reprodução/TV Globo
As dimensões da residência impressionam. A parte privativa da família ocupa um espaço com mais de mil metros quadrados, pé-direito de cerca de seis metros, paredes muito espessas e cômodos que permanecem naturalmente mais frios e escuros.
Nem a tecnologia escapa das limitações impostas por uma construção medieval. O sinal de internet praticamente não funciona dentro do castelo e depende de conexão via satélite.
Hoje, Nathalie e o marido, Pierre-Yves, vivem ali com dois dos quatro filhos e os cachorros da família. Um desses cachorrinhos chama a atenção pelo nome: Rio, escolhido em homenagem ao Rio de Janeiro por iniciativa do filho Jean, apaixonado pela América Latina.
Entre cavalos, jardins e tranquilidade
Para os filhos do casal, crescer em um castelo significa ter uma rotina bem diferente da maioria das pessoas. Jean diz que a melhor parte é viver cercado pela natureza.
"É muito bom viver no campo, com os cachorros. Tem bastante espaço e a gente pode ter muitos animais." Maylis também valoriza a tranquilidade do lugar. Ela conta que gosta de cavalgar depois do trabalho e aproveitar o silêncio da propriedade.
"É bem calmo. A gente respira um ar puro. Andar a cavalo depois do trabalho e não pensar em mais nada é o que eu mais gosto daqui."
Mas morar em um castelo também tem desvantagens. Segundo ela, a distância da cidade dificulta o convívio com os amigos. Na infância, muitas pessoas sequer acreditavam quando ela dizia onde morava.
Donos do castelo recebem equipe do Fantástico.
Reprodução/TV Globo
Nem tudo é conto de fadas
Apesar da paisagem que lembra filmes e histórias infantis, a rotina da família está longe da imagem de luxo normalmente associada aos castelos. Todos ajudam na manutenção da propriedade.
É preciso limpar os grandes salões, cuidar dos estábulos, alimentar os animais e manter os jardins.
Nathalie resume a rotina em uma frase: "É um ecossistema. Você vive e também trabalha aqui."
Jean diz que a experiência também ensinou habilidades pouco comuns entre jovens da sua idade. "Muitos amigos que moram na cidade não sabem cuidar de animais ou usar uma motosserra. A gente aprende tudo isso aqui."
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