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Motorista de aplicativo transforma carro em vitrine de livros e incentiva leitura durante corridas no AC: ‘Viagens ficam mais suaves’

Motorista de aplicativo incentiva leitura durante corridas no Acre
Depois de trabalhar por mais de três décadas com vendas de livros em escolas e eventos, o gaúcho Reni José Schmitt, de 57 anos, precisou reinventar a própria rotina após passar por uma cirurgia para retirada de varizes, em Rio Branco. Com a limitação para conseguir carregar o peso das caixas de livros, ele decidiu começar a atuar como motorista de aplicativo.

"O primeiro objetivo é principalmente quando entram pais e mães com crianças, para tornar a viagem mais suave, alegre, tranquila. A criança entra agitada, então eu dou um livrinho para ela olhar junto com a mãe. Ela se acalma, se tranquiliza e chega ao destino contente", descreveu.
Segundo ele, alguns dias a venda dos livros supera até mesmo o faturamento obtido com as corridas. Alguns passageiros também fazem encomendas e o convidam para apresentar o acervo em casa.
"Tem dias que eu apuro mais renda com a venda dos livros do que com o próprio aplicativo. Isso mostra que a comunidade acreana realmente quer investir nos filhos [.] Não é só dinheiro que conta. Ver uma criança feliz, interessada por um livro, para mim já é uma recompensa enorme”, disse.
Livros ficam expostos no banco ao lado do motorista e passageiros podem vê-los e, caso tenham interessem, comprem algum exemplar
Pâmela Celina/g1
Paixão que resiste
Reni compartilha também que vendeu livros de diferentes áreas como enciclopédias, mas que atualmente trabalha exclusivamente com títulos infantis. Todo o material faz parte de um estoque adquirido ao longo dos anos.

De acordo com o motorista, os passageiros costumam se surpreender ao ver os livros expostos no carro.

"Todos os dias são altas gargalhadas. A pessoa entra, olha e diz: 'Nossa, que legal'. Ganha o passageiro e eu também. As viagens ficam mais curtas, mais suaves", acrescentou.
Apesar da maioria das experiências serem positivas, ele lembra de algumas situações que o emocionaram, como crianças que queriam levar um livro, mas que os pais não tinham condições de comprar.

"Teve algumas crianças que agarravam o livro e não queriam mais soltar. Às vezes eu vendo praticamente a preço de custo, porque só de ver aquela criança interessada nessa ferramenta já é um pagamento. Não é só dinheiro que conta", disse.
Livros custam entre R$ 10 e R$ 150 e são oferecidos principalmente a famílias com crianças para acalmar os passageiros durante as viagens
Pâmela Celina/g1
Para Reni, o incentivo à leitura nos primeiros anos de vida faz diferença no desenvolvimento infantil. Ele acredita que momentos simples, como a leitura durante uma corrida de aplicativo, podem criar oportunidades de aprendizado.
"Às vezes a criança entra agitada. A mãe começa a ler para ela e, quando chega ao destino, ela está tranquila. É gratificante ver o resultado que conseguimos proporcionar", afirmou.
Depois de enfrentar a cirurgia e mudar completamente a forma de trabalhar, o gaúcho diz que o principal aprendizado desse recomeço é a resiliência.
"Eu acredito que a palavra é humildade e resiliência. A capacidade de reagir às adversidades. Todos os dias precisamos focar no momento presente, aprender, ensinar e compartilhar aquilo que temos de melhor", finalizou.

Motorista de aplicativo incentiva a leitura com venda de livros no Acre
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