Copa de 2026 é sucesso nos gramados, mas também vai ficar marcada pelas polêmicas
A Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada por recordes de público e de gols. Mas, longe dos gramados, uma série de episódios transformou o torneio em um dos mais controversos da história recente do futebol.
Veto a árbitro abriu sequência de polêmicas
Antes mesmo da bola rolar, uma decisão do governo dos Estados Unidos abriu a sequência de controvérsias. O árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar no país para atuar no Mundial, em razão das regras de imigração americanas.
O caso expôs um cenário incomum: pela primeira vez, a FIFA precisou se adaptar às determinações do país-sede, e não o contrário. A situação levou o presidente da entidade, Gianni Infantino, a admitir que a organização não tem controle absoluto sobre todas as decisões que envolvem a competição.
Restrições ao Irã extrapolaram os gramados
Outro episódio envolvendo questões políticas atingiu diretamente a seleção do Irã. Em guerra com o país-sede, a delegação enfrentou restrições desde a emissão dos vistos. Jogadores e integrantes da comissão técnica só receberam autorização para entrar nos Estados Unidos uma semana antes da viagem, enquanto dirigentes da federação iraniana tiveram a entrada vetada.
Além disso, a equipe ficou hospedada em Tijuana, no México, e precisou cruzar a fronteira apenas nos dias das partidas. A medida foi justificada pelo governo americano como parte de um esquema de monitoramento da delegação.
Dentro dos estádios, o clima também refletiu a tensão política. O hino iraniano foi alvo de vaias, principalmente de imigrantes contrários ao regime do país. Mesmo diante do cenário, a seleção encerrou sua participação invicta, com três empates, em uma campanha marcada por desafios muito além do futebol.
Revista policial surpreendeu seleção uruguaia
Outro momento que chamou atenção ocorreu antes da partida entre Uruguai e Arábia Saudita, em Miami. A delegação uruguaia foi submetida a uma revista policial completa na chegada ao estádio, um procedimento incomum para seleções durante uma Copa do Mundo.
A inspeção aconteceu às vésperas da entrada em campo e surpreendeu jogadores e integrantes da comissão técnica.
Pressão de Trump resultou em decisão inédita da FIFA
A maior controvérsia da Copa veio após a expulsão do atacante americano Folarin Balogun. O árbitro brasileiro Rafael Klaus aplicou cartão vermelho ao jogador, que ficaria suspenso automaticamente da partida seguinte.
Dias depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou ter conversado com Gianni Infantino para pedir uma revisão da punição. O Comitê Disciplinar da FIFA anulou a suspensão, permitindo que Balogun atuasse normalmente nas oitavas de final.
A decisão não tem precedentes desde 1970, quando o cartão vermelho passou a fazer parte das regras das Copas do Mundo.
Comparação com episódio histórico de 1982
A interferência também foi comparada a um dos casos mais emblemáticos da história dos Mundiais: a atuação do então xeque do Kuwait, na Copa de 1982, quando conseguiu convencer a arbitragem a anular um gol da França durante uma partida.
Mais de quatro décadas depois, a Copa de 2026 voltou a levantar discussões sobre os limites da influência política no futebol.
Copa entra para a história também pelos bastidores
Em meio aos recordes dentro de campo, o Mundial de 2026 também ficará marcado pelas decisões tomadas fora das quatro linhas. Veto a árbitro, restrições a delegações, procedimentos de segurança incomuns e a interferência de um chefe de Estado colocaram a política no centro da competição e transformaram esta edição da Copa em uma das mais controversas da história recente.
Copa de 2026 é sucesso nos gramados, mas também vai ficar marcada pelas polêmicas
Reprodução/TV Globo
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