A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está apostando num cenário em que a maioria dos partidos do Centrão irão optar pela neutralidade na eleição presidencial.
Coordenadores da campanha do petista, depois de conversas com líderes destes partidos, avaliam que Progressista, União Brasil e Republicanos não vão apoiar o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e irão liberar seus correligionários nos Estados.
Além desses partidos, a expectativa dos coordenadores da campanha de Lula é que o MDB também fique neutro na eleição presidencial.
No caso do PSD, que tem candidato, o ex-governador Ronaldo Caiado, o cenário é de apoios a Lula em alguns Estados, como Bahia (leia mais abaixo).
Agora no g1
🔎O Centrão é um bloco informal de partidos de centro e centro-direita que reúne grande força no Congresso.
"O cenário é bem melhor do que o inicial. Se o candidato da direita fosse o Tarcísio de Freitas, esses partidos iriam se unir, mas com Flávio Bolsonaro isso não deve acontecer", avalia um interlocutor do presidente Lula.
Por sinal, esses interlocutores avaliam que o presidente precisa aproveitar a crise na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, deixar a polarização de lado e fazer acenos aos eleitores de centro.
Até aqui, a polarização rendeu os dividendos que tinha de render. Agora, seria hora de se aproximar mais do eleitorado independente, de centro.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, a crise do pré-candidato com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda não foi contornada.
A carta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mandando um recado indireto para sua mulher, dizendo que é hora de deixar de lado divergências para derrotar Lula, reforçou a aliança dentro do bolsonarismo raiz. Por outro lado, acentuou o mal-estar no grupo de Michelle Bolsonaro (entenda mais a seguir).
Além de abrir espaço para o PT entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro sob o argumento de que ele teria desrespeitado medidas cautelares impostas pelo STF. A de que ele não pode usar suas redes sociais nem a de terceiros
Os advogados de Bolsonaro vão dizer que ele não usou a rede social do filho, mas foi o senador que decidiu publicar a carta entregue a ele reforçando seu apoio ao senador, como seu pré-candidato e porta-voz único nesta eleição presidencial.
🔎Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista de 2022, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março de 2026, após autorização do ministro Alexandre de Moraes para que se recuperasse de problemas de saúde, entre eles uma broncopneumonia.
🔎Em 3 de julho, Moraes decidiu prorrogar a domiciliar de Bolsonaro após o vencimento do prazo inicial de 90 dias, mantendo restrições como monitoramento eletrônico, limitações de visitas e proibição de uso de redes sociais, além de determinar a entrega de armas registradas em seu nome.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Reprodução
Crise na família Bolsonaro
No fim do mês passado, a ex-primeira-dama publicou um depoimento nas redes sociais em que diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, escolhido pelo marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato à Presidência nas eleições de outubro.
Segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, a fala da ex-primeira-dama teve como objetivo passar o recado de que, mesmo sem ser uma Bolsonaro de sangue, Michelle se coloca como alguém que cumpre a palavra do líder e respeita os acordos firmados em seu nome.
Com isso, Michelle tentou uma diferenciação implícita em relação aos filhos do ex-presidente — especialmente no episódio do Ceará, quando defenderam uma aproximação com Ciro Gomes, crítico histórico tanto de Jair Bolsonaro quanto de seus filhos.
Após a publicação do vídeo, o senador também usou as redes sociais para pedir desculpas a Michelle. Segundo Flávio Bolsonaro, ele não teve a intenção de ofendê-la.
Nos bastidores, aliados de Flávio admitiram preocupação com o impacto do depoimento, especialmente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais Michelle construiu forte identificação política.
Ao se apresentar como alvo de humilhação e desrespeito, a ex-primeira-dama reforçou a imagem de lealdade ao ex-presidente e de vítima de um conflito interno, enquanto Flávio acabou associado ao desgaste familiar.
Na semana seguinte, Michelle voltou às redes sociais e compartilhou um vídeo postado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, sobre supostas festas promovidas por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Flávio Bolsonaro reagiu novamente à publicação. "Quando ela pega um vídeo do Garotinho — quem é do Rio de Janeiro conhece o Garotinho —, bota na rede social dela insinuando que eu posso estar na festa de Vorcaro, ela está completamente desinformada", disse o senador.
Em meio à crise, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher. A renúncia foi acertada em reunião entre a ex-primeira-dama e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto
Na semana passada, Valdemar Costa Neto afirmou que Flávio e Michelle Bolsonaro não se falam desde as trocas de acusações pelas redes sociais e que é preciso cessar os conflitos internos para que seja definido um 'rumo'.
"Michelle é uma pessoa especial. Ela tem talento, é uma grande líder, e nós precisamos dela com a gente. Nós não podemos sair brigando dentro de casa. Temos que acertar isso aí em 20 dias pra gente tomar um rumo", afirmou Costa.
O blog apurou que a reconciliação entre a ex-primeira dama e o senador é considerada impossível até pela cúpula do PL.





