Assim como em todo o mundo, a fauna brasileira é repleta de espécies curiosas e de atributos chamativos – a ave maria-leque (Onychorhynchus) é um belo exemplo dessa descrição. Nativo do Brasil, o animal possui uma crista na cabeça, que, quando acionada, lembra um leque ou até mesmo uma fantasia de Carnaval.
Apesar de parecer uma ave comum, a crista na cabeça é o atributo que a diferencia do restante. Segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, o leque normalmente fica abaixado e só é acionado em situações específicas, como cortejo para interações reprodutivas, disputas territoriais ou quando o animal se sente ameaçado.
Entre espera e o instante: desafios de fotografar aves raras no Brasil “Essa crista apresenta cores vibrantes, variando entre vermelho, laranja e amarelo, com pontas azuladas ou negras”, descreve a bióloga Keity Garzin, do Zoológico de São Paulo.
No Brasil, há duas espécies principais de maria-leque: a maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni) e a a maria-leque amazônica (Onychorhynchus coronatus). Elas podem ser encontradas principalmente na Mata Atlântica, no sul da Bahia e no Rio Grande do Sul. Certas regiões do Paraguai e Argentina também podem abrigar exemplares. Apesar da distribuição, encontrar o bicho de crista chamativa é complicado.
“A maria-leque possui um comportamento bem discreto. São aves relativamente difíceis de serem observadas, pois vivem no interior de florestas bem conservadas, principalmente próximo a cursos d’água”, explica o biólogo Leonardo da Fonseca Pinto, do BioParque do Rio, no Rio de Janeiro.
Qual o papel da maria-leque e como está sua situação na natureza
Em seu habitat natural, a dieta da ave é composta por pequenos insetos, incluindo moscas, besouros, mariposas e outros artrópodes. “A maria-leque desempenha um importante papel ecológico no controle natural de populações de insetos, ajudando a manter o equilíbrio dos ecossistemas”, afirma Pinto.
A presença da maria-leque também serve como um indicativo que o ambiente está bem conservado. A afirmação tem ligação com a “exigência” do animal para viver bem, já que a ave depende de florestas densas e com altos índices de preservação para suprir suas necessidades ecológicas básicas.
“Espécies como a maria-leque demonstram a importância das unidades de conservação, dos programas de preservação e da educação ambiental para garantir a manutenção da biodiversidade brasileira”, diz Keity.
Imagem mostra ave sem a crista levantada
Em relação à situação atual da maria-leque na natureza, existem dois cenários: a amazônica é classificada pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) como “pouco preocupante”, pois dispõe de uma ampla distribuição. Já o exemplar do sudeste está categorizada pela IUCN como “em perigo de extinção”.
De acordo com os biólogos, a situação atual da maria-leque-do-sudeste está relacionada à fragmentação da Mata Atlântica causada pelo desmatamento. Como solução, ambos propõe proteger o habitat natural da ave e fortalecer unidades e programas de conservação, que garantem que o animal possa viver em lugares que forneçam abrigo, alimentos e locais de reprodução com segurança.





