“Meu irmão ia precisar de um transplante de rim e eu era uma forte candidata. Só que a médica falou que teria que estar 100% bem de saúde e na parte bucal também. Meu pai fez um financiamento para mim e eu comecei lá”, conta.
O pacote de serviços ficou em R$ 13.589 mil e, segundo Juliana, incluía um canal, seis implantes e o aparelho ortodôntico para o filho dela, um adolescente.
Ela informou que fizeram o canal, o que possibilitou que ela concluísse a doação do rim para o irmão. Mas afirmou que o restante foi paralisado após a fixação de quatro pinos, impedindo a finalização dos implantes, e que está há três meses tentando atendimento, mas a clínica cancela as consultas.
Ela também afirmou que o filho está com a boca machucada devido à falta de manutenções no aparelho ortodôntico.
Segundo Juliana, funcionários da clínica foram até a residência da família, no bairro Vila Sônia, para coletar a biometria facial do pai e realizar um financiamento por meio de uma financiadora parceira da clínica.
Atualmente desempregada e com uma renda familiar de um salário mínimo, Juliana relatou que a parcela mensal de R$ 567 compromete um terço dos ganhos mensais da casa e que precisa finalizar os serviços odontológicos.
Estacionamento da clínica odontológica QSorriso, em Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
Investigação policial e histórico de reclamações Antes de fechar as portas para o público nesta segunda-feira, a clínica QSorriso já tinha encerrado as atividades perante o Conselho Regional de Odontologia (CRO) no dia 11 de maio de 2026. Sem esse registro, é proibido atender.
Agora, a conduta da QSorriso é alvo de inquérito da Polícia Civil. O delegado Wagner Romano, do 1º Distrito Policial de Piracicaba, informou que a investigação busca esclarecer se houve crime de estelionato ou descumprimento de contrato, o que remeteria o caso à esfera cível. Até o momento, foram registrados pelo menos sete boletins de ocorrência.
O Procon contabiliza 216 reclamações contra a unidade desde o início de suas operações em 2014. No Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o nome jurídico da empresa (L & K Martinez Serviços de Saúde Ltda) consta em mais de 70 processos, com ações que citam práticas abusivas, indenização por dano material e rescisão de contrato.
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Outros pacientes, como a auxiliar administrativa Marjorie Castro, de 20 anos, e o vigia Jhonas Stocco, de 40, relataram à reportagem que o modo de operação da clínica envolvia a atração por meio de "avaliações gratuitas", redução drástica de orçamentos iniciais altos e facilitação do pagamento.
Após o início dos procedimentos, os pacientes enfrentavam dificuldades de agendamento até a paralisação dos serviços até que, ao dirigirem à unidade, no início de julho, os clientes encontraram avisos impressos de "manutenção" e uma placa de "aluga-se" na fachada.
Parte vinculada à clínica QSorriso, em Piracicaba (SP), e com placa de aluguel
Yasmin Moscoski/g1
O que diz a clínica Em nota, a QSorriso afirmou que as negociações para o encerramento da unidade de Piracicaba ocorreram ao longo de 90 dias, período no qual alega ter sofrido retaliações. A empresa declarou que os tratamentos contratados serão integralmente concluídos por clínicas parceiras a partir de 20 de julho de 2026 e orientou os clientes a entrarem em contato pelo WhatsApp (19) 98283-9726.
Questionada pela reportagem, a direção não informou quais seriam as unidades parceiras que assumirão os pacientes. Sobre os registros no Procon, a empresa justificou que as 216 reclamações devem ser contextualizadas diante do volume de mais de 1,2 milhão de atendimentos realizados. A QSorriso afirmou que tem CRO, mas apresentou o número do registro ativo à reportagem. E em relação às formas de pagamento, a empresa disse que ofereceu diferentes modalidades de contratação, inclusive financiamento por instituições financeiras parceiras, e que a modalidade era opcional do cliente.





