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Como profissionais de IA estão inflacionando os imóveis na Califórnia — e expulsando famílias de suas casas

Apenas a parte superior da casa no meio desta foto — um apartamento de três dormitórios — estava à venda por quase US$ 3 milhões
Open Homes via BBC
Em uma rua arborizada no bairro residencial abastado de Duboce Triangle, em São Francisco, a parte superior de uma casa isolada branca, da era eduardiana, atraía visitantes, entre potenciais compradores.
O apartamento de três dormitórios, luxuosamente reformado, estava à venda por quase US$ 3 milhões (mais de R$ 15 milhões). E vinha atraindo cada vez mais atenção devido a uma forma de pagamento incomum: o vendedor aceitaria receber ações das empresas de inteligência artificial OpenAI ou Anthropic em vez de dinheiro.
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"O valor [do imóvel] é questionável, mas eu gostaria de comprá-lo", diz um jovem funcionário da OpenAI que acaba de visitar o apartamento com sua parceira.
O funcionário, que se mudou para a cidade californiana há dois anos para um cargo técnico na empresa sediada em São Francisco, está atualmente morando de aluguel. Ele planeja perguntar aos seus chefes sobre a possibilidade de transferência de ações.
Agora no g1
Bem-vindo a São Francisco em 2026, cidade que também abriga a gigante da IA, Anthropic. São Francisco é o epicentro da revolução da inteligência artificial e os preços imobiliários na cidade subiram drasticamente este ano.
"Os preços estão simplesmente astronômicos", diz Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, uma empresa imobiliária que acompanha os preços de imóveis nos EUA. "As pessoas estão com dinheiro sobrando e prontas para comprar."
Em março, São Francisco recuperou o título de cidade mais cara para compradores de imóveis nos EUA, ultrapassando a rival São Jose, localizada a 80 quilômetros ao sul, no coração do tradicional Vale do Silício.
Naquele mês, o preço médio das casas em São Francisco subiu 19% em relação ao ano anterior, e essa tendência continuou, com altas de 14,5% e 14,1% em abril e maio, respectivamente, de acordo com dados fornecidos pela Redfin.
O preço médio de venda na cidade, em maio de 2026, atingiu o recorde de US$ 1,76 milhão, em comparação com quase US$ 400 mil nos EUA como um todo, onde os preços subiram apenas 1,4% em março e 2% em abril e maio.
A opinião de praticamente todos na cidade é que o dinheiro proveniente da inteligência artificial é o principal motor do aquecido mercado imobiliário de São Francisco.
"Chegamos a essa conclusão com base no que estamos vendo nos dados e no que ouvimos de nossos agentes", afirma Fairweather.
Ela destaca o aumento acentuado nos preços nos endereços de luxo da região da Baía de São Francisco – que inclui o Triângulo de Duboce – desde que a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022.
Isso interrompeu a recessão que São Francisco sofreu durante a pandemia de covid, quando a população diminuiu e os preços dos imóveis caíram.
Hoje, os altos salários e bônus de contratação pagos aos principais profissionais de IA na cidade podem ser extraordinários, mesmo para os padrões do Vale do Silício. Ainda mais generosas são as opções de ações que os funcionários puderam resgatar parcialmente por meio de vendas limitadas de ações.
Em outubro passado, mais de 600 funcionários atuais e antigos da OpenAI venderam ações no valor total de US$ 6,6 bilhões, uma média de US$ 11 milhões por participante, conforme relatado recentemente.
Na Anthropic, cujo principal produto é o Claude, foi divulgado recentemente que os funcionários também foram autorizados a vender ações no valor total de cerca de US$ 6 bilhões.
E com ambas as empresas prestes a realizar aberturas de capital em bolsa ainda este ano ou no próximo, criando mais funcionários multimilionários, muitos acreditam que o setor imobiliário de São Francisco vai se valorizar ainda mais.
Apartamento de três dormitórios no Duboce Triangle foi luxuosamente mobiliado
Open Homes via BBC
"A guerra de preços de hoje será vista como pechincha, e já é", diz Rachel Swann, a corretora responsável pelo imóvel no Triângulo de Duboce.
Enrico Moretti é professor de economia na Universidade da Califórnia, Berkeley, e mora na cidade.
Ele afirma que o boom da IA ainda está no começo e destaca que, embora a população e os níveis de emprego da cidade estejam aumentando, eles permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia.
Existem também forças contrárias que podem estar impedindo o progresso. Grandes empresas de tecnologia, como a Meta, têm registado recentemente demissões em massa.

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