Clientes denunciam clínica que fechou sem concluir tratamentos; polícia investiga
Clientes da clínica odontológica QSorriso, no Centro de Piracicaba (SP), denunciaram o fechamento repentino da unidade, sem aviso, com tratamentos inacabados e, em alguns casos, pagos.
No entanto, a clínica já encerrou as atividades perante o Conselho Regional de Odontologia (CRO). Sem esse registro, é proibido que qualquer clínica realize atendimentos.
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A clínica afirmou ao g1 que tem o CRO, mas não o apresentou à reportagem quando foi questionada.
Aviso de fechamento da clínica odontológica QSorriso, em Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
Reclamações O Procon, órgão de defesa do consumidor, informou que a clínica QSorriso tem 216 reclamações registradas e que a primeira foi em 2014, dois anos após o início das atividades da empresa na cidade.
Além disso, o Procon afirmou que alguns clientes processaram a QSorriso. No site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), o nome L & K Martinez Serviços de Saúde Ltda (nome jurídico da QSorriso) aparece em mais de 70 processos com naturezas distintas. No entanto, a maioria cita: Práticas abusivas Indenização por dano material Rescisão do contrato e devolução do dinheiro Juliana Piovesan, de 40 anos, é uma das clientes que processa judicialmente a empresa. Ela fez um financiamento de R$ 13.589 para o tratamento odontológico dela e do filho, que é uma criança autista. O tratamento inclui canal, restaurações e implantes. Ela afirmou que está há mais de um ano tentando finalizar o serviço e que, dos seis implantes contratados, houve a aplicação de quatro pinos, sem os dentes.
Ela afirmou que foi até a clínica, na segunda-feira (6), para realizar agendamentos de consultas desmarcadas ainda na sexta-feira (3) e encontrou o local com as portas fechadas e com uma placa ‘Aluga-se’. “Eu fiquei ali, uns 20 minutos, e chegaram sete pessoas [.] com horário marcado, foi todo mundo pego de surpresa”, conta Juliana.
A mesma cena foi presenciada pela auxiliar administrativa Marjorie Castro, de 20 anos, e pelo vigia Jhonas Stocco, de 40 anos. Ambos compareceram ao local, na terça-feira, em busca de informações sobre o reagendamento de consultas, que haviam sido desmarcadas por mensagem.
Parte vinculada à clínica QSorriso, em Piracicaba (SP), e com placa de aluguel
Yasmin Moscoski/g1
Modo de operação Segundo sete clientes ouvidos pela reportagem, o modo de operação da clínica consistia em um padrão: os clientes realizavam o pagamento do serviço, passavam por algumas consultas e, depois, enfrentavam dificuldades para terminar os procedimentos ou nem começavam os procedimentos.
Durante a avaliação, os vendedores utilizavam estratégias de convencimento, como oferecer orçamentos inicialmente altos e baixá-los drasticamente ou facilitar a forma de pagamento.
Mensagem recebida por paciente da clínica QSorriso, em Piracicaba
Arquivo pessoal
“Me mandaram mensagem no WhatsApp dizendo que alguém me indicou e que eu tinha ganhado uma avaliação. Fizeram a avaliação e depois me convenceram a fazer um contrato. Só que o valor que eles colocaram era de 3 mil reais eu falei que não ia pagar. E eles foram diminuindo, diminuindo, até ficarem uns 800 reais eu parcelei em 10 vezes”, conta Marjorie.
Ela afirmou que passou por algumas consultas até a clínica começar a série de remarcações. No caso de Juliana, uma funcionária da clínica foi até a residência dela para realizar um financiamento bancário com uso de reconhecimento facial e para passar o cartão de crédito.
Estacionamento da clínica odontológica QSorriso, em Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
Investigação policial A Polícia Civil de Piracicaba informou que abriu um inquérito para investigar se a empresa atuava com o intuito de lesar os clientes, no caso, praticar um estelionato, ou se apenas descumpria contratos, o que deveria ser resolvido na esfera cível.
Segundo o delegado Wagner Romano, do 1º Distrito Policial de Piracicaba, houve o registro de sete boletins de ocorrência, que serão investigados.
Plantão Policial de Piracicaba
Edijan Del Santo/ EPTV
O que diz a empresa A empresa negou que deixou os clientes desamparados e afirmou, em nota ao g1, que todos os tratamentos contratados serão integralmente concluídos por clínicas parceiras a partir de 20 de julho de 2026. A empresa ainda orientou que os clientes acionem o telefone WhatsApp (19) 98283-9726.
O g1 questionou quais são as clínicas parceiras, mas a empresa não respondeu.





