Professor registra passagem da Estação Espacial Internacional pelo céu de Itapetininga
O ponto brilhante que cruzou o céu de Itapetininga (SP) na manhã desta sexta-feira (10) não era uma estrela, nem um avião ou objeto não identificado: era a Estação Espacial Internacional (ISS), que pôde ser observada a olho nu durante a sua passagem.
No bairro Shangri-lá, o professor de física e responsável pelo Clube de Astronomia da cidade, Rodrigo Raffa, estava com o seu telescópio posicionado desde as 5h da manhã para acompanhar o momento. O registro foi feito assim que a Estação Espacial cruzou próximo à Lua.
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“Se você olhasse para o céu, depois da Lua, ela era o objeto mais brilhante do céu. Hoje ela estava muito brilhante”, relatou Raffa ao g1.
Nas imagens feitas pelo responsável do Clube Centauri, é possível observar que um risco se forma assim que a ISS cruza o céu, logo abaixo da Lua, que se encontra em sua fase minguante. De acordo com o especialista, a estação está a cerca de 400 quilômetros de distância da Terra.
Professor registrou a passagem da Estação Espacial Internacional em Itapetininga, nesta sexta-feira (10)
Arquivo pessoal/Rodrigo Raffa
Essa não é a primeira vez que Raffa acompanha a passagem da ISS pelo céu itapetiningano. Mas, para ele, toda vez é especial.
“Cada vez é única, porque sempre tem alguma coisinha que é diferente. No caso de hoje, foi muito especial pela configuração. Eu estava com o telescópio, acordei 5h30 da manhã para acompanhar. Coloquei o telescópio e já comecei a fazer os meus registros. E quando ela passa embaixo da Lua, é maravilhoso”, contou.
Para ele, acordar cedo e acompanhar momentos como esse deixou de ser um trabalho ou responsabilidade; a ação é feita por amor à astronomia.
“Às vezes, você está olhando para ela, está alta no céu e, de repente, o brilho some. Isso acontece porque a iluminação do sol parou de iluminar a parte que estava sendo refletida para baixo. Ela deve continuar iluminando-a, mas para outro lado”, completou Rodrigo.
O professor de Itapetininga registrou a lua em sua fase minguante nesta sexta-feira
Arquivo pessoal/Rodrigo Raffa
À reportagem, ele ressaltou que ter momentos onde é possível visualizar a passagem da estação é importante, devido à importância do local para a ciência, pois todos acabam sendo afetados pelos trabalhos realizados nela, seja de forma direta ou indireta.
“Eu trago muito essa questão de entender o que a gente está fazendo e compreender o todo, não só observar um pontinho. Vamos entender o que é esse ponto, compreender o que está por trás, quem está ali dentro. Eu tenho que saber todas as informações”, reforçou o professor.
Para saber mais sobre a Estação Espacial Internacional, o especialista explicou ao g1 o que é o local e as atividades realizadas nela. Confira abaixo.
💫Conheça mais sobre a Estação Espacial Internacional
Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês)
NASA/Reprodução
A Estação Espacial é um laboratório científico que orbita a Terra a 400 km de distância, desde 2000. Ela foi criada por cinco agências espaciais: Nasa (EUA); Roscosmos (Rússia); ESA (Europa); JAXA (Japão) e CSA (Canadá). A estrutura da ISS tem aproximadamente 110 metros de largura.
“Ela tem controle mundial e vários países podem mandar astronautas para lá. Inclusive, o nosso astronauta brasileiro, o Marcos Pontes, quando foi para o espaço, ele foi justamente para a Estação Espacial”, relembra Rodrigo Raffa.
Conforme o especialista, no local são realizados diversos tipos de experimentos. “Experimentos científicos, de baixa gravidade, de radiação, vendo como a vida se comporta no espaço, como a radiação interfere na vida vegetal e animal. Eles levam insetos, levam plantas, já plantaram algumas mudas no espaço, então, é um laboratório mesmo”.
A estação espacial completou 25 anos e já recebeu mais de 270 astronautas de diferentes nacionalidades.
“São pesquisas relacionadas a como a vida se comporta no espaço, como tecnologias podem ser testadas em microgravidade”, disse.
De acordo com Rodrigo, a estação segue ocupada desde os anos 2000. Atualmente, sete astronautas, sendo duas mulheres e cinco homens, ocupam o local há cerca de 150 dias.





