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Maioria do eleitorado, mulheres viram alvo de acenos de pré-candidatos

A pouco mais de um mês do início da campanha eleitoral que definirá o próximo ocupante da Presidência da República, pré-candidatos têm intensificado gestos direcionados ao público feminino.
As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elas representam 52,5% da população apta a votar, enquanto os homens somam 47,33%.
Apesar disso, seguem sub-representadas nos espaços de poder: apenas 18,1% das cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres. Com isso, de acordo com a ONU Mulheres, o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representação feminina.
Os cinco presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas até o momento são homens. Neste ano, a única mulher que se lançou à Presidência é Samara Martins, do Unidade Popular (UP). Em 2022, quatro mulheres disputaram o cargo: Simone Tebet (MDB), Sofia Manzano (PCB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Vera Lúcia (PSTU).

Segundo a pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta (8/7), seis em cada dez brasileiros (60,6%) discordam da afirmação.
Nos bastidores, a expectativa é de que o nome para vice seja anunciado nas próximas semanas. O PL testou diferentes opções. Integrantes do partido afirmam que nomes como os da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e das deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) não tiveram desempenho relevante nas pesquisas internas.
Com isso, a economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), que integra a equipe responsável pelo programa de governo de Flávio, ganhou força. Mais recentemente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro passou a defender a indicação da deputada Júlia Zanatta (PL-SC). Também circula o nome da deputada Bia Kicis (PL-DF).
Nessa quarta, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou o nome de Daniella, mas alertou que para ser vice na chapa de Flávio, a pessoa precisa “ter voto&#8221.
Como mostrou o Metrópoles, além da escolha de uma mulher para a vice, a pré-campanha prepara o lançamento de um conjunto de propostas voltado ao público feminino. Batizado de Brasil Por Elas, o plano deve ter a segurança pública como eixo central e tem lançamento previsto para a próxima quarta-feira (15/7).
Além disso, outra aposta é a inclusão de Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, de forma mais efetiva na campanha.

Recorde de feminicídios

O primeiro trimestre de 2026 registrou um recorde no número de feminicídios no Brasil, com alta de 7,55% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), entre janeiro e março, o país contabilizou 399 vítimas.
O total representa o trimestre mais letal para mulheres nos últimos 11 anos, desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que reúne dados a partir de 2015.
Em 2025, o Brasil teve o maior número de feminicídios já contabilizado, com ao menos 1.470 mulheres assassinadas em contextos de violência doméstica, familiar ou por misoginia. O total superou os 1.464 casos registrados em 2024, indicando alta de 0,41%.

Caiado
Em gesto às mulheres, o ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD), manifestou apoio ao projeto de lei que criminaliza a misoginia. O político foi o único do campo da direita a declarar apoio expresso à proposta.
O texto que tramita na Câmara dos Deputados prevê equiparar a misoginia ao crime de racismo para tornar a prática inafiançável e imprescritível.
O pré-candidato afirmou ser favorável a “toda campanha que vier para empoderar a mulher, para coibir qualquer agressão à mulher&#8221.
Renan
Outro pré-candidato que aposta na segurança pública como política para as mulheres é Renan Santos (Missão). O líder do Movimento Brasil Livre (MBL) publicou um vídeo na última semana em que defende uma “legislação pesada” para crimes violentos, incluindo os que atingem as mulheres.
Na gravação, ele também afirmou que o partido vai “partir para cima” de pessoas que cometem crime de estupro.
“Vamos passar a legislação mais pesada no Brasil para todo tipo de crime violento. E menor de idade, com qualquer idade, que cometer crime sexual contra uma mulher será preso como adulto&#8221. disse.
Recentemente, voltou a ser compartilhado nas redes sociais um vídeo de 2018 em que o pré-candidato e um grupo de integrantes do MBL falam em “estuprar” uma amiga, caso eles fossem impedidos de entrar em um bar. Renan afirmou que a declaração foi uma “piada de mau gosto, feita por pessoas bêbadas&#8221.
A mulher citada no vídeo, que na época era integrante do MBL, saiu em defesa do pré-candidato.
 Zema
O pré-candidato do Novo, Romeu Zema, também tem ampliado os acenos ao público feminino. Na última terça (7/7), ele participou de um encontro com lideranças femininas do setor financeiro e anunciou uma nova “frente de mobilização” voltada às mulheres no âmbito da campanha.
Até o momento, o ex-governador tem apostado em propostas focadas na área de segurança pública para atrair o eleitorado feminino. Entre as medidas já anunciadas estão o aumento da pena para o crime de feminicídio e a castração química para estupradores.
Os acenos ocorrem depois que Zema enfrentou críticas por associar as mulheres ao trabalho doméstico. Em junho, ele afirmou que pretende restringir a exigência de estudar apenas aos homens beneficiários do Bolsa Família, pois as mulheres “têm outras atribuições em casa&#8221.
“Eu viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa – têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens, mas os homens hoje são convidados a trabalhar”, disse Zema, durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

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