MC João apresentou o funk de SP pro mundo com ‘Baile de Favela’
Se hoje a estética e a imagem de um baile funk de rua em São Paulo são amplamente conhecidas por todo o país, isso se deve em grande parte a um nome: MC João, autor do sucesso "Baile de Favela".
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Há uma década, o cenário do funk em São Paulo passava por uma transformação profunda. Após o auge do funk ostentação, marcado por letras sobre correntes de ouro e carros importados, o gênero abriu espaço para uma nova geração que se propôs a falar de sexo.
MC João surgiu justamente nessa transição. As composições deixavam o consumo de luxo de lado para focar em relacionamentos e sexualidade de forma explícita.
A mistura do rap com funk
A estrutura de "Baile de Favela" se sustenta em dois pilares fundamentais da cultura de periferia de São Paulo. O primeiro é a menção direta a várias comunidades paulistanas, como Helipa, Marcone e São Rafael.
Essa prática de mapear e saudar os territórios é uma herança direta do rap nacional, técnica na qual grupos como Racionais MCs e RZO se tornaram mestres entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000.
O segundo pilar é o teor sexual explícito. O refrão da música, que descreve uma reação física após uma relação com o produtor da faixa, o DJ R7, gerou fortes polêmicas na época de seu lançamento.
MC João, voz de 'Baile de favela', e R7, produtor da faixa, na casa da empresa GR6
Rodrigo Ortega / G1
Parte dos críticos chegou a apontar que a composição incentivava o estupro. Em entrevista ao g1 na ocasião, o funkeiro defendeu a obra, explicando que a letra retratava uma relação inteiramente consensual.
O videoclipe da canção, lançado no canal da KondZilla, estabeleceu um marco visual para o movimento. Nas cenas, MC João aparece em um carro ao lado dos funkeiros Dynho Alves, MC Menor da VG, MC Brisola e MC Kevin. Ao descer do veículo e abrir o porta-malas com o som automotivo, ele simbolicamente dá início ao baile na comunidade.
O registro audiovisual foi tão forte que passou a traduzir a experiência de um baile de rua paulistano, como o da DZ7, para quem nunca esteve presente.
O legado de "Baile de Favela"
Rebeca Andrade se destacou nas Olímpiadas de Tóquio com 'Baile de Favela'
Reuters/Dylan Martinez
A faixa cruzou fronteiras. Com o suporte de uma versão light, sem palavrões, MC João realizou turnês internacionais, apresentando ao planeta a nova identidade do funk brasileiro.
Anos mais tarde, em 2021, o hit voltou aos holofotes globais por meio do esporte. A ginasta Rebeca Andrade utilizou a música em sua apresentação no solo durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde conquistou a medalha de prata.
Depois de "Baile de Favela", MC João emplacou outros sucessos no circuito do funk, embora sem o mesmo alcance global do hit de 2015.
Em 2021, o artista expandiu sua atuação no mercado da música ao se tornar empresário e fundar sua própria produtora.
O impacto cultural de "Baile de Favela", no entanto, permanece ativo. O sucesso histórico da faixa pavimentou o caminho para que o funk paulista se estabelecesse de forma recorrente nas primeiras posições das paradas de sucesso atuais, como o Top 50 do Spotify.
MC João, de 'Baile de favela', que agora lança a Baile de Favela Records
Divulgação





