Ipê amarelo é visto em meio à floresta perto de Novo Progresso (PA).
Nacho Doce/Reuters
A mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas usadas por povos indígenas da Amazônia entre 2060 e 2080, aponta um estudo publicado na revista científica “Nature” nesta quarta-feira (08).
A perda dessas espécies também ameaça práticas ligadas à alimentação, à medicina, à construção, aos rituais e a outras atividades do cotidiano.
A base inclui informações de todos os países da Bacia Amazônica e de 156 línguas indígenas.
O levantamento identificou pelo menos 5.796 espécies de plantas nativas usadas pelas populações da região. O número corresponde a mais de um terço das plantas com sementes conhecidas na Amazônia.
Entre os usos registrados estão a produção de alimentos, remédios, ferramentas, materiais para moradias, combustíveis, roupas e itens ligados a cerimônias e tradições culturais.
As plantas medicinais aparecem com destaque. Os pesquisadores encontraram 3.862 espécies usadas para tratamentos de saúde, mais que o dobro das 1.804 espécies ligadas à alimentação.
Extrativista segura a peconha enquanto escolhe qual árvore irá escalar para colher o açaí no Pará.
Rafael Leal / g1
Palmeiras estão entre as plantas mais citadas no levantamento, como a pupunha, o patauá, o buriti e o açaí-do-amazonas, espécies que têm importância para a segurança alimentar e para práticas culturais de diferentes comunidades.
As populações indígenas concentram a maior parte desse conhecimento.





