Nascido e batizado em Sarapuí, Nhô João de Camargo construiu legado de fé e solidariedade
Para os moradores da região de Sorocaba (SP), João de Camargo é um nome conhecido, associado ao sincretismo religioso e aos relatos de milagres populares. O líder religioso de matriz africana foi — e ainda é — uma das figuras mais importantes da comunidade negra em toda a região.
Nhô João, como ficou conhecido, nasceu há 168 anos, em 16 de maio de 1858, em uma fazenda de escravizados que ficava no bairro de Cocais, em Sarapuí (SP). No entanto, ele foi batizado em 5 de julho daquele ano, data que até hoje é marcada por celebrações em memória do legado de solidariedade e fé deixado pelo homem.
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"Ele gostava de comemorar seu aniversário no dia 05 de Julho. Recebeu o sobrenome do fazendeiro que o escravizada, Luiz de Camargo Barros, casado com Ana Tereza Barros. Foi batizado na Igreja Matriz de Nossa senhora das Dores de Sarapuí", relata Adriano Molina, presidente da capela de João de Camargo, em Sorocaba.
Nascido e batizado em Sarapuí (SP), Nhô João de Camargo ficou conhecido por seu legado de solidariedade e milagres
Arquivo Pessoal
O historiador Wellington Ataíde relata que, na fazenda onde nasceu, João de Camargo aprofundou, ao lado da mãe, os conhecimentos sobre ervas medicinais e práticas curandeiras ancestrais. Antes de se estabelecer em Sorocaba, Nhô João também percorreu a região de Itapetininga.
"Depois de liberto, ele passa a andar pela região até, finalmente, se instalar em Sorocaba. Ele chegou no período em que a febre amarela estava acontecendo e causando muitas mortes e, nisso, entra Monsenhor João Soares, que foi um dos poucos padres que ficaram na cidade tentando cuidar da situação", diz.
João de Camargo, líder espiritual, teve a vida contado no filme Cafundó, em 2005. Capela construída pelo religioso é local de refúgio, fé e ancestralidade em Sorocaba (SP)
TV TEM
João se firmou em Sorocaba em 1907, e, segundo o historiador, o líder religioso possuía um costume de andar pela cidade frequentemente, principalmente pelas regiões do Centro e da atual Avenida Barão de Tatuí – onde está localizada a capela, que, hoje, é tombada como patrimônio histórico.





