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Como apoiar adolescentes e adultos jovens com câncer

Adolescentes e jovens adultos que vivem com câncer ou sobreviveram à doença têm necessidades e perspectivas únicas que os médicos devem acolher – é o que aponta artigo do Canadian Medical Association Journal. Didático, o texto traz orientações que servem ainda para pais, familiares e amigos que convivem com essas pessoas. Afinal, elas enfrentam não somente tratamentos dolorosos e invasivos, mas também traumas que não podem ser ignorados. Aqui estão as principais recomendações:
Jovens com câncer: tratamento deve ser acompanhado de atenção com a saúde mental e o impacto em marcos de vida interrompidos
Miguel Alonso para Pixabay
Marcos de vida interrompidos: embora o foco dos oncologistas seja a cura, é indispensável ter em mente como o câncer interrompe fases cruciais na da vida de adolescentes e jovens adultos. Os médicos devem abordar esses desdobramentos e o impacto que representam no futuro. Isso inclui abordar temas como fertilidade, saúde sexual e, eventualmente, o planejamento antecipado de cuidados. Questões como congelar óvulos (criopreservação de oócitos) ou espermatozoides (criopreservação seminal) não são acessórias. Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides ao longo da vida, as mulheres nascem com sua reserva ovariana completa, e tratamentos como quimioterapia ou radioterapia podem esgotá-la precocemente.
Impactos na saúde mental: o câncer afeta todos os pacientes e seu núcleo familiar. Como os adolescentes e jovens adultos estão especialmente vulneráveis à ansiedade e à depressão, avaliações psicológicas regulares são essenciais para indicar aconselhamento, encaminhamentos ou suporte medicamentoso. Pais, avós e irmãos também precisam ficar atentos a sinais de que necessitam de ajuda.
Linguagem centrada no paciente: é importante evitar termos que possam minimizar o golpe de receber um diagnóstico de câncer, e utilizar as expressões de preferência da pessoa. Eu acrescento uma camada a essa abordagem: não exigir que o jovem se mantenha confiante e proativo o tempo todo. É preciso exercer a escuta, ouvir o que tem a dizer. Se já é difícil para os mais velhos, imagine para eles!
Apoio pós-tratamento: como a maioria desses pacientes viverá por muitas décadas após a remissão, um acompanhamento contínuo e alinhado às diretrizes médicas é fundamental, sempre com a colaboração entre oncologistas e generalistas. O estímulo a um estilo de vida saudável fará toda a diferença nos anos seguintes.
Identidades interseccionais: as particularidades de cada paciente vão além da idade. Os profissionais de saúde devem demonstrar abertura e respeito perguntando sobre nomes sociais, pronomes e outros aspectos que compõem a identidade e a dignidade daquela pessoa.
“Adolescentes e jovens adultos diagnosticados com câncer estão navegando por muito mais do que um diagnóstico; eles frequentemente estão lidando com transições de vida significativas ao mesmo tempo”, diz a coautora a psicóloga Perri Tutelman, professora assistente da Universidade de Calgary.

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