Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de ligação com PCC e mais 6 pessoas; empresário está foragido

Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de elo com PCC e mais 6 pesso
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Ao todo são 11 mandados de prisão temporária, e sete foram cumpridos até a última atualização desta reportagem. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos EUA na quarta-feira (1º) por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Todos os presos serão levados para a sede da PF em Sao Paulo. O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo de sanções dos EUA, está entre os procurados pela PF, mas está foragido.
👉 Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas, também será bloqueada. Entenda aqui o que acontece com pessoas e empresas alvos de sanções econômicas pelo governo dos EUA.
Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba. Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões.
PERFIL: Quem é Stella Stefanie, secretária brasileira alvo de punições pelo governo dos EUA Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.

Os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Quem são os brasileiros alvos de sanções?

Victor Henrique de Oliveira Shimada Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, sancionado pelo governo dos EUA em 1º de julho de 2026.
Reprodução/GloboNews
Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. Ele também é sócio da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, com sede em Portugal, empresa igualmente sancionada pelos EUA nesta quarta-feira.
O empresário foi classificado pelos EUA como "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". O governo Trump o acusa de:
lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC;
envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico.
No Brasil, Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. (Leia mais abaixo).
Ao informarem a sanção, os EUA citaram que a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, porém não mencionou o nome do time alvinegro no comunicado.
Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo, Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent.

A UJ foi citada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como "Tripa", apontado pelo delator como integrante do PCC. O relatório ressalta ainda que o próprio Gritzbach surgiu em análises financeiras associadas à Wave, empresa que mantinha intensa movimentação com a Victory Trading.

A investigação, porém, não afirma que Victor Shimada seja integrante do PCC, mas sustenta que ele estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre a facção criminosa.
Além dessa investigação, ele responde a outros quatro processos sem ligação direta com organização criminosa: ameaça
violência doméstica e familiar
injúria cometida ofendendo a dignidade ou o decoro lesão corporal dolosa Em nota, o advogado de defesa de Shimada, Yuri Cruz, disse que tomou conhecimento, nesta quarta-feira (1º) , das notícias acerca das sanções anunciadas.
"Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro".
E complementou: "A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, após o efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados".
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira
Já Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada e atuou como a secretária dele.

O governo norte-americano também afirma que ela atuou como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Ela não tem antecedentes criminais e nem responde a processos.

Investigação do caso VaideBet
No Brasil, Victor Shimada aparece nas investigações que apuram o suposto desvio de recursos do contrato firmado entre Corinthians e VaideBet.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a empresa Wave Intermediações e Tecnologias Ltda. apontada pelos investigadores como uma das empresas utilizadas para movimentar valores provenientes do esquema investigado.
A apuração identificou uma cadeia financeira que inclui empresas pelas quais os recursos teriam passado após deixarem a conta do Corinthians. Segundo os autos, parte do fluxo analisado seguiu o caminho:
Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent
Em paralelo, investigadores apontaram transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa citada em outras apurações policiais.
A denúncia sustenta que Shimada teria atuado como operador financeiro de uma empresa utilizada, ao menos parcialmente, para ocultar e dissimular a origem de recursos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro.
Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil em um processo com a Votorantim.

Em nota, o BV (antigo Banco Votorantim) informou que, "em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje.
Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”.

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore