Belo Horizonte – A espera de mais de duas décadas finalmente chega ao fim para milhares de belo-horizontinos. Nesta sexta-feira (3/6), Belo Horizonte vive um momentos simbólico na história da mobilidade urbana com a inauguração das estações Nova Suíça e Amazonas, as duas primeiras da futura Linha 2 do metrô. As demais estações do trecho têm previsão de entrega em 2028.
A entrega marca o início da expansão de um projeto que permaneceu parado por anos e representa o primeiro passo para ligar a região do Barreiro ao sistema metroviário da capital.
A cerimônia será realizada às 8h30, na Estação Nova Suíça, e simboliza o avanço de uma obra aguardada há décadas pela população. Quando concluída, a Linha 2 terá 10,5 quilômetros de extensão, sete estações e ampliará em 46% a malha metroviária da Região Metropolitana de Belo Horizonte, beneficiando cerca de 213 mil passageiros por dia.
A inauguração também representa uma antecipação do cronograma inicial da concessão. As duas primeiras estações estavam previstas para serem entregues apenas em 2028, mas tiveram as obras aceleradas e chegam à população cerca de dois anos antes do previsto.
Um projeto que atravessou gerações
A história da Linha 2 começou no fim da década de 1990. As obras foram iniciadas em 1998 com a proposta de ligar o Calafate ao Barreiro, uma das regiões mais populosas de Belo Horizonte.
Linha 2 terá 10,5 quilômetros de extensão, sete estações e ampliará em 46% a malha metroviária da Região Metropolitana de BH
Entretanto, em 2004, o projeto foi interrompido por falta de recursos.
Durante mais de 20 anos, estruturas de concreto às margens da Via Expressa se tornaram símbolo de uma promessa nunca cumprida e motivo de frustração para moradores da capital.
Ao longo dos anos, diferentes governos anunciaram a retomada das obras, mas nenhuma iniciativa saiu efetivamente do papel.
A concessão que destravou a expansão
O cenário começou a mudar em dezembro de 2022, quando o metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte foi concedido à iniciativa privada após leilão realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.
A concessionária Metrô BH assumiu a operação do sistema por 30 anos com a missão de modernizar a Linha 1 e concluir a construção da Linha 2.
O consórcio Comporte Participações foi o vencedor da disputa, com uma proposta de R$ 25.755.11,00
O contrato prevê investimentos de R$ 3,7 bilhões. Desse total, R$ 2,8 bilhões são provenientes do Governo Federal, cerca de R$ 449 milhões do Governo de Minas — por meio dos recursos do Acordo de Reparação pelo rompimento da barragem de Brumadinho — e o restante será investido pela concessionária.
Além da nova linha, o contrato inclui a revitalização das 19 estações da Linha 1, melhorias na infraestrutura, ampliação do Pátio São Gabriel e aquisição de 24 novos trens.
As primeiras estações da nova linha
As estações Nova Suíça e Amazonas inauguram uma nova etapa da expansão do sistema metroviário.
A Estação Nova Suíça funcionará como ponto de integração entre a atual Linha 1 e a futura Linha 2, permitindo que os passageiros façam a transferência sem necessidade de pagar uma nova tarifa.
Já a Estação Amazonas é a primeira construída exclusivamente para a nova linha.
As demais estações — Nova Gameleira, Nova Cintra, Vista Alegre, Ferrugem e Barreiro — seguem em construção e têm previsão de entrega até 2028.
O que muda para os passageiros
Quando totalmente concluída, a Linha 2 vai conectar aproximadamente 90 bairros da capital e ampliar significativamente a capacidade do sistema.
A expectativa é que o metrô passe a transportar cerca de 213 mil passageiros por dia, sendo 157 mil usuários na Linha 1 e outros 56 mil na Linha 2.
Paralelamente às obras de expansão, o metrô também passa por um amplo processo de modernização.
A inauguração das estações Nova Suíça e Amazonas representa muito mais do que a entrega de duas novas paradas
Desde 2023, todas as estações e trens contam com internet Wi-Fi gratuita. O sistema implantou painéis eletrônicos com previsão de chegada das composições e adotou a bilhetagem digital, permitindo o pagamento diretamente nas catracas por aproximação, com cartões bancários, celulares e relógios inteligentes.





