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Moradora atingida por tornado no Paraná diz que temporal parecia filme de terror: ‘Casa de vizinho voando, choro, pedido de socorro’

Moradora atingida por tornado no Paraná diz que temporal parecia filme de terror
"Parecia filme de terror". É assim que a dona de casa Edver de Fátima Antunes define a experiência de ter visto o tornado que atingiu e destruiu diversas casas na comunidade Imbú, na zona rural de Reserva, nos Campos Gerais do Paraná.

No domingo (28) os ventos chegaram a 200 km/h na região e, nesta quarta (1), especialistas confirmaram que o fenômeno tratou-se de um tornado de nível F2.
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Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ela contou que ela e a família se protegeram usando o guarda-roupa como barreira. Ninguém se feriu, mas ao redor deles a maior parte da casa foi destruída.
"Foi muito, muito horrível, sabe. Aquele barulho, aquele estrondo, casa de vizinho voando, choro, pedidos de socorro. [.] O que nós tínhamos, perdemos tudo. Por enquanto eu não caí na realidade; vindo pra casa, eu penso que vou chegar ali, vou ter o fogãozinho pra fazer o nosso almoço ou o banheirinho pra tomar o nosso banho. Mas a gente chega aqui e vê que é tudo mentira, porque virou bairro fantasma. É um filme de terror, sabe. A gente teve um filme de terror".

No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados – quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno.
Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos.
A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação. Veja abaixo:
Tornado F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves;
Tornado F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados;
Tornado F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis;
Tornado F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos;
Tornado F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores;
Tornado F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema.
Histórico de tornados no Paraná
No fim de 2025 e começo de 2026, em um período de três meses, cinco tornados foram registrados no Paraná.
Os fenômenos foram registrados em Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava, Turvo, Mercedes e São José dos Pinhais.
No começo de novembro de 2025, na região central do Paraná, Rio Bonito do Iguaçu teve 90% dos imóveis destruídos durante um tornado de categoria F3 na escala Fujita, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.
No mesmo dia, Guarapuava e Turvo, que ficam a 130 km e a 166 km de Rio Bonito do Iguaçu, também registraram estragos significativos. Nelas, os tornados foram classificados como F2, com ventos entre 200 km/h e 250 km/h.
No dia 2 de janeiro, um tornado com ventos de até 120 km/h foi registrado em Mercedes, no oeste do Paraná. O fenômeno foi classificado como F1.
Em São José dos Pinhais, o tornado também recebeu a classificação de intensidade como F2 na Escala Fujita. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão.
Tornado em São Jose dos Pinhais
Reprodução
Paraná está no 2º maior corredor de tornados do mundo
O Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta, segundo especialistas em climatologia. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das chamadas "pradarias centrais" dos Estados Unidos, que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.
O fenômeno que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no dia 7 de novembro de 2025, é um exemplo de como a combinação entre massas de ar quente e frio torna o território paranaense mais vulnerável.
A especialista em tornados, Karin Linete Hornes, professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a área propensa a tornados engloba também os outros estados da região Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e partes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.
"Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa", detalha Hornes.
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