Belo Horizonte – A sensação de incerteza continua entre os guardas civis municipais de Ouro Preto, na região Central de Minas, mesmo após a Prefeitura revogar o decreto de intervenção administrativa na corporação e substituí-lo por uma declaração de situação de emergência por 90 dias.
Integrantes da Guarda ouvidos pela reportagem nesta quinta-feira (2/7) afirmam que a mudança jurídica não trouxe melhora no clima interno e apontam a permanência do secretário municipal de Segurança e Trânsito, Moisés dos Santos, como o principal obstáculo para resolver a crise.
Um dos servidores, identificado pelo nome fictício de Márcio*, explicou que a troca da intervenção pela situação de emergência foi apenas uma mudança de nomenclatura que não resolve os problemas de base:
“A revogação do decreto que instituiu a intervenção administrativa na Guarda Civil Municipal e declarou situação de emergência administrativa, para nós, guardas municipais, não alterou absolutamente nada. Atualmente, a maior dificuldade para a formação de um corpo de comando sólido é o desgaste da relação entre o atual secretário de Segurança e Trânsito, Sr. Moisés, e os agentes da Guarda, um problema que já se arrasta há muito tempo”.
“A situação de emergência administrativo não mudou muita coisa, pois o maior problema hoje na guarda municipal de Ouro Preto é o secretário Moisés dos Santos. Ele continua no cargo e gerando um grande desgaste com a tropa. Maior parte do efetivo não quer assumir cargo de confiança com a presença do mesmo na secretaria, pois o mesmo é autoritário, não tem a humildade de escutar os anseios da tropa. A Guarda só vai se alinhar quando esse secretário for exonerado”.
Comandante interino e “pé atrás”
Embora a prefeitura tenha nomeado o servidor Adriano Carlos Sales como comandante interino para reorganizar a GCM pelos próximos 90 dias, o sentimento entre os agentes é de vigilância. João* menciona que a tropa ainda teme retaliações por parte da cúpula da segurança municipal.
“O clima hoje na Guarda é de incerteza. A galera continua com um pé atrás, pois sabe que a qualquer hora o excelentíssimo secretário pode vir e aprontar novamente para prejudicar os guardas. Esperamos que nesses 90 dias a Guarda Municipal tenha paz e sossego para fazer seu serviço com excelência”.
Já Márcio* critica o que chama de desvio da instituição. Ele destaca que a prefeitura foi forçada a recuar em decisões recentes, como a alteração da escala de trabalho de 12×36, após forte pressão da categoria.
“A forma de gestão e o tratamento excessivamente militarizado adotados pelo secretário divergem da natureza e dos princípios que regem a Guarda Civil Municipal, que é uma instituição de caráter civil. A valorização dos profissionais, o diálogo e o respeito à legislação devem prevalecer sobre decisões unilaterais que apenas ampliam o desgaste interno”.
Marcelo* disse que estão “vivendo uma ditadura” e lembrou que a crise na corporação se agravou após a extinção de grupamentos especializados, como a Patrulha Escolar, a Patrulha SUS e a Patrulha Distrital, que desenvolviam ações de prevenção e apoio em escolas, unidades de saúde e distritos. O servidor também questiona o destino de uma emenda parlamentar de R$ 15 mil destinada à estrutura da Guarda nos distritos e afirma que o clima de insatisfação já atingiu toda a Secretaria de Segurança.
“A insatisfação não é só na Guarda. Hoje ela se estende por toda a Secretaria. Há relatos de servidores que chegaram a ser ameaçados com voz de prisão apenas por discordarem do secretário.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Ouro Preto e aguarda um posicionamento.
*Nomes fictícios utilizados para preservar a identidade dos entrevistados.





