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Professor diz ter sido demitido de escola por ser mulçumano: “Deboche”

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu um procedimento para investigar denúncias de intolerância religiosa feitas pelo professor de inglês Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros, 29 anos, contra um colégio particular de Belo Horizonte (MG).

Ossama lecionava no Colégio Pégaso, unidade Kennedy, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Segundo ele, os episódios de discriminação começaram em 12 de fevereiro, quando teria sido orientado a não usar roupas pretas para evitar que sua aparência fosse associada à religião islâmica. O professor afirma que a vestimenta faz parte de uma tradição cultural presente em diversos países árabes.
“Essa vestimenta, como a abaya ou o niqab, vai muito além de uma simples escolha de cor. Trata-se de uma tradição cultural e religiosa profundamente enraizada em várias regiões do mundo árabe. A cor preta, em muitos países do Golfo, é um símbolo cultural de sobriedade e respeito&#8221. disse ao Metrópoles.
A reportagem procurou o Colégio Pégaso para comentar as denúncias feitas pelo professor, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação da instituição.
Deboche
O professor lecionava para turmas do 8º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, com alunos entre 14 e 19 anos. Segundo ele, as conversas sobre sua religião começaram por curiosidade dos estudantes.
“Eles perguntavam como era ser muçulmano, se existia alguma mesquita aqui em Belo Horizonte. Eu respondia de forma democrática, dizia que sim e explicava que nós rezamos cinco vezes ao dia&#8221. relata.
Segundo Ossama, porém, a curiosidade deu lugar a episódios de preconceito. Ele afirma que passou a ser chamado de “terrorista” e comparado a “Osama Bin Laden&#8221. ex-líder da organização terrorista Al-Qaeda.
“Um estudante chegou a me cumprimentar com a expressão ‘Aleikum salame&#8217. uma referência à saudação árabe ‘As-salamu alaikum&#8217. que significa ‘a paz esteja com você&#8217. Ele fez isso em tom de deboche, na frente de coordenadores pedagógicos, e ninguém da escola repreendeu a atitude&#8221. afirma.
Diante dos episódios, o professor diz que decidiu recorrer à Justiça e tornar o caso público. “Decidi tornar os fatos públicos para chamar a atenção para a necessidade de combater a intolerância religiosa e promover uma cultura de respeito às diferenças&#8221. conclui.

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