Ônibus são depredados após rodoviários decidirem manter greve no Rio
Manifestantes depredaram ao menos cinco ônibus depois da greve dos rodoviários ser mantida em uma assembleia na tarde desta terça-feira (30) no Centro do Rio de Janeiro.
O início da reunião da categoria já tinha sido marcado por muita confusão após uma primeira votação determinar o estado de greve. Pela primeira proposta aprovada, os trabalhadores voltariam a trabalhar na quarta-feira (1) sem descontar os dias parados.
No entanto, uma segunda votação foi feita e determinou que a greve está mantida. Durante a discussão, ovos foram jogados e o carro sindical foi cercado. Parte dos rodoviários estava insatisfeita com o posicionamento do presidente do sindicato.
Depois da votação, ônibus foram vandalizados no Centro do Rio. Em ao menos cinco coletivos, os passageiros foram expulsos e os veículos depredados, com retrovisores quebrados.
Rodoviários param ônibus e mandam passageiros descer em ato no Rio
O presidente sindical disse que essa era uma iniciativa de parte dos trabalhadores, mas não do sindicato. Às 13h35, a manifestação seguia no sentido Tribunal de Justiça e ia para o Terminal Gentileza.
A assembleia que determinou a continuação da greve foi convocada depois que uma audiência de conciliação terminou sem uma proposta do Rio Ônibus, o sindicato patronal.
Rodoviários cercam carro de som em tumulto durante assembleia
Reprodução/GloboNews
Os representantes dos rodoviários pedem:
Reajuste de 17%
Piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT
R$ 4 mil para os demais motoristas Vale alimentação de R$ 1 mil Plano de saúde
Mudanças na escala de trabalho e jornada de 7h30
Durante a audiência, o presidente do Rio Ônibus ofereceu 4,39% de reajuste, e que não haverá contraproposta, citando dificuldades financeiras e a perda de subsídios que impedem um reajuste maior.
O Sindicato dos Trabalhadores chegou a propor uma divisão do reajuste, com 8% imediatamente e 8,3% em novembro deste ano. A proposta não foi aceita pelo sindicato patronal, que pediu uma trégua até a próxima segunda-feira (6) sem nada em troca aos trabalhadores, quando uma nova reunião está marcada. 1,4 mil ônibus nas ruas
O Rio Ônibus, sindicato que representa as viações que operam no Município, afirmou no início da manhã desta terça que 1.400 coletivos saíram para circular.
O número é maior que o registrado no dia anterior, quando 900 veículos deixaram as garagens, mas ainda aquém dos 1.800 que deveriam rodar — o equivalente a 50% da frota, conforme determinação da Justiça do Trabalho.
A segunda-feira (29) foi marcada por garagens lotadas de ônibus parados nas viações e transtornos para passageiros. A greve foi deflagrada à 0h da segunda-feira.
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Prefeitura queria 80% da frota
Em entrevista ao Bom Dia Rio, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) afirmou que o município havia defendido na Justiça que os rodoviários mantivessem 80% da frota nas ruas.
“A gente tem visto que 50% já era um efetivo muito baixo e sequer foi cumprido. Não chegamos a 30% de operação por parte dos ônibus comuns, e o nosso pleito é que a gente tenha pelo menos 80% do serviço garantido.”
“O funcionamento do BRT em cerca de 70% permite que a gente tenha uma vazão maior dessas pessoas, mas o sistema de alimentação, feito pelos ônibus comuns da cidade, infelizmente, mais uma vez, não chegou sequer a um terço do que estava previsto”, emendou.
“Eu quero lembrar que essa negociação é entre os sindicatos: o patronal e o dos trabalhadores. O papel da prefeitura tem sido exclusivamente pedir à Justiça que o mínimo de funcionamento do serviço seja garantido para a população, para que a gente possa minimizar os impactos”, disse.
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