Curta LGBT+ feito com recursos da Lei Paulo Gustavo em Bauru estreia em festival de cinema
O envelhecimento é um tema que vem sido retratado no cinema com certa frequência nos últimos anos. Um exemplo é o filme "Meu Pai", de 2020, que rendeu um Oscar de Melhor Ator para Anthony Hopkins, que vive um homem idoso com sinais de Alzheimer.
Em Bauru (SP), uma dupla de diretores buscou um recorte LGBTQIAPN+ para essa temática e produziu um curta com recursos da Lei Paulo Gustavo que será exibido internacionalmente.
🔎 O nome dos personagens-títulos não é por acaso: segundo a mitologia grega, enquanto Morfeu é o deus dos sonhos, Caronte transporta as almas que estão no limbo — entre a vida e a morte.
Embora seja um assunto delicado, a trama lida com a temática a partir de referências de musicais estadunidenses e brasileiras dos anos 1930, a exemplo de "Belezas em Revista" e de clássicos das chanchadas carnavalescas, popularizadas na mesma época no contexto nacional.
"A gente trouxe esse universo, não só das relações entre música massiva americana e música massiva brasileira, os sucessos do rádio, que um interferia no outro, mas também esse universo dessas músicas dos anos 30, de amor, de solidão, de medo da morte", explica Jocimar.
Curta utiliza do gênero musical para a trama de seu protagonista, que descobre o diagnóstico de demência
Arquivo pessoal
Inicialmente, o texto abordava um namoro entre duas pessoas. No entanto, os cineastas optaram por discutir o trisal, quando três indivíduos se relacionam amorosamente.
Além disso, a escolha de falar a respeito da terceira idade também foi uma maneira de documentar o assunto para as pessoas da comunidade fora da ótica heterossexual e distante da dramatização excessiva em histórias queer.
"A gente queria trazer um retrato do envelhecimento afetivo, que trouxesse novas perspectivas de companheirismo e afeto, que não fossem nem moldadas por um prisma heterossexual e que também não fossem apenas a solidão, a tristeza e o abandono", acrescenta Luiz.
Estreia em festival queer
Diretor estreia curta LGBT no Teatro Castro, em São Francisco
Mitch Altman
Ambientação de séries centralizadas em pessoas não heterossexuais, como "Looking" e "Tales of the City", a cidade de São Francisco possui um festival que é referência para a comunidade queer.
O Frameline de 2026, que terminou no sábado (27), apresentou curtas e longas-metragens e documentários produzidos, estrelados e criados por pessoas que fazem parte da comunidade.
Nesta 50ª edição, Luiz esteve no evento para representar a equipe e o elenco de "Morfeu e Caronte", que não pôde estar todo presente por falta de financiamento.
Sobre a importância de apoiar todas as etapas de uma produção audiovisual nacional e independente, Jocimar explica que a divulgação e a presença dos envolvidos em histórias que retratam a realidade brasileira são fundamentais para o trabalho realizado no país ser referência também para o público internacional.
"Não somos apenas um receptáculo do cinema americano. Eles têm que assistir às nossas coisas. A gente tem que ter as portas abertas para internacionalizar as nossas histórias. Tem coisas que só a gente conta da nossa forma", afirma.
Dia internacional do Orgulho LGBTQIAPN+
Neste domingo (28) é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+. A data faz referência ao episódio ocorrido nesse mesmo dia, em 1969, quando mulheres trans, gays, lésbicas e outros membros da comunidade se revoltaram com a violência policial, em um bar de Nova York, no episódio que ficou conhecido como a Rebelião de Stonewall Inn.
Não só na data, mas durante todo o mês de junho são realizados eventos para discutir políticas públicas e reforçar a luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAPN+.





