O coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo Luiz Enrique de Souza Ikeda, que admitiu ter estuprado a própria filha, tenta anular na Justiça o depoimento de uma conselheira tutelar responsável por denunciar o caso. O pedido tem como base o fato de que a mulher concedeu entrevista a um podcast e falou sobre as acusações contra o oficial. Segundo a defesa, a conselheira teria perdido a “neutralidade narrativa“.
Em maio do ano passado, o Metrópoles revelou um áudio em que o próprio Ikeda descreve cenas de abuso sexual. Os crimes teriam ocorrido em Limeira, no interior do estado, em 2011, quando a filha do coronel tinha 10 anos. A confissão registrada na gravação ocorreu anos depois, em 2017, em uma conversa entre o PM e a menina, já com 16 anos.
Após o inquérito se arrastar por cinco anos, Ikeda se tornou réu por estupro de vulnerável em fevereiro do ano passado. A reportagem teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e constatou que desde então não houve movimentações relevantes e que não há data definida para julgamento.
“Golpe”
Em interrogatório prestado em novembro de 2024, Luiz Enrique de Souza Ikeda foi questionado sobre o teor do áudio. Ele afirmou que a gravação feita pela filha em 2017 teria sido um “golpe”.
“Não posso (dizer) que não aconteceu porque aconteceu. Só que eu falo que eu caí, vamos dizer assim, num golpe”, declarou. “E por que que eu falo isso? Como eu estava no pé dela por conta dos namorados, seria uma carta que ela teria na mão para usar contra mim.”
Na oitiva, Ikeda comentou apenas um dos episódios de estupros mencionados no áudio, o da masturbação usando os pés da menina. Ele, no entanto, deu uma versão diferente para o ocorrido, dizendo que a única coisa que fez foi “deixar” a criança com os pés pressionando seu pênis.
“Eu peguei… estava um tanto quanto meio fora de mim. Aí, eu pensei comigo: ‘Vamos ver, vamos ver até onde isso daí vai’. E aí, eu deixei com que ela colocasse o pé dela na minha genitália. Aconteceu. Realmente aconteceu, mas não passou disso”, disse Ikeda.





