A Europa entrou no verão sob uma onda de calor fora do padrão, com termômetros chegando a 44°C em partes da França, Espanha e Portugal e noites abafadas que dificultam até o resfriamento do corpo.
O calor extremo avançou antes do auge da estação e acendeu alertas em diversos países, com impactos que vão de escolas fechadas e interrupções no transporte a riscos concretos para a saúde da população.
A intensidade do episódio chamou atenção não apenas pelos números, mas pelo contexto: a onda de calor apareceu mais cedo do que o esperado e se espalhou por uma Europa que já vinha registrando temperaturas anormalmente altas desde maio.
Dados do Copernicus, serviço europeu de monitoramento climático, mostram que o oeste do continente enfrentou um aquecimento precoce e intenso ainda na primavera, o que ajuda a explicar por que a chegada do verão foi acompanhada por marcas tão extremas.
Por que a Europa está tão quente
Segundo o meteorologista Francisco de Assis, consultor climático de Brasília, há dois fatores centrais por trás do fenômeno: o bloqueio atmosférico e o pano de fundo do aquecimento global. Na prática, uma área de alta pressão age como uma espécie de “tampa” na atmosfera, dificultando a entrada de sistemas mais frios e mantendo o ar quente estacionado por vários dias sobre a região.
O bloqueio, apelidado de Ômega, favorece a permanência de uma massa de ar quente vinda do norte da África sobre partes da Europa, o que ajuda a explicar por que as temperaturas seguem elevadas por tanto tempo.
“O problema não é só a temperatura máxima disparar, mas a massa de ar quente ficar parada sobre a região por vários dias, sem dar espaço para o alívio”, afirma Assis. Para ele, esse tipo de configuração é comum no verão europeu, mas tem ficado mais preocupante em um planeta mais quente.
O especialista ressalta que a onda de calor atual não pode ser vista como um episódio isolado. “A Europa já vem acumulando verões muito quentes desde os anos 2000. O aquecimento da Terra cria um ambiente mais favorável para ondas de calor mais frequentes, longas e intensas”, diz.





