Rabo de cavalo do Haaland pode causar queda de cabelo? Entenda
Um rabo de cavalo bem puxado para trás, com as laterais raspadas. Esse penteado virou marca registrada de Erling Haaland, o centroavante da Noruega, que enfrenta a França nesta sexta-feira (26) pela Copa do Mundo.
Nas redes sociais, o estilo do craque tem rendido comentários, inclusive de gente apostando que ele vai acabar ficando calvo de tanto prender os fios desse jeito.
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❓Mas será que prender o cabelo com força e repetidamente pode mesmo cobrar esse preço? Em parte, sim, embora a história tenha nuances.
Postagem sobre o craque da Noruega teve mais de 11 milhões de visualizações no X.
X/Reprodução
Segundo Mariana Paixão, dermatologista e especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cabelos muito esticados e presos com frequência podem desencadear um problema com nome próprio.
"Os cabelos muito tensionados e usados repetidamente, com coque, rabo de cavalo e tranças extremamente firmes, podem causar o que a gente chama de alopecia por tração", explica ao g1.
A tensão contínua provoca um dano mecânico no folículo piloso, a estrutura da pele de onde nasce o fio.
A boa notícia é que, percebido cedo, o quadro tem volta. "No início, é reversível: se você parar, vai melhorar. Mas, se feito por anos e anos, provavelmente vai gerar uma cicatriz no folículo, e aí você tem a perda definitiva dos fios", diz a especialista.
➡️ Os primeiros sinais costumam ser os seguintes:
dor e sensibilidade no couro cabeludo depois de prender, vermelhidão, quebra dos fios e um afinamento progressivo na linha da testa e nas têmporas — justamente as regiões que sofrem mais tração nos penteados.
Tração x calvície genética
Apesar de ambas provocarem perda de cabelo, a alopecia de tração e a calvície genética têm origens diferentes.
Haaland reage durante Noruega x Senegal pela Copa do Mundo de 2026.
Caean Couto/Imagn Images via Reuters
"São duas coisas completamente diferentes, com fisiopatologias diferentes", afirma a dermatologista.
A calvície clássica — a alopecia androgenética — está ligada principalmente à genética e aos hormônios. O personagem central é o DHT, substância derivada da testosterona.
As pessoas que são geneticamente predispostas têm esse hormônio se ligando aos receptores dos folículos, e isso causa uma miniaturização dos fios. O fio vai nascendo cada vez mais fino e mais curto.
A simples presença da DHT, porém, não significa que uma pessoa ficará calva.
O fator determinante é a sensibilidade dos folículos à ação dessa substância, característica ligada à herança genética. Em pessoas predispostas, a DHT se conecta a receptores presentes nos folículos e desencadeia um processo chamado miniaturização.
A cada novo ciclo, o cabelo nasce mais fino, mais curto e menos visível.
E isso é algo que ocorre aos poucos. Um fio inicialmente grosso e comprido pode perder espessura ao longo dos anos, até que o folículo produza apenas um cabelo muito pequeno ou deixe de gerar fios perceptíveis.
Haaland, da Noruega, em ação contra Senegal pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, em East Rutherford, nos Estados Unidos.
John Sibley/Reuters
Isso também ajuda a explicar por que a calvície não depende necessariamente de uma alteração hormonal detectada em exames de sangue.
Uma pessoa pode ter níveis considerados normais de hormônios, mas apresentar folículos geneticamente mais sensíveis à DHT.
A genética também não vem exclusivamente do lado materno ou paterno.





