Turquia e Estados Unidos se enfrentam nesta quinta-feira (25), no SoFi Stadium, em Los Angeles, pela terceira rodada do Grupo D da Copa do Mundo de 2026. O processo foi disputado: por mais de três anos, turcos e australianos competiram pela sede.
No fim, chegou-se a um acordo inédito em três décadas de conferências do clima: a Turquia será a anfitriã e assumirá a presidência formal do evento, enquanto a Austrália ficará responsável por conduzir as negociações propriamente ditas.
O país ratificou o Acordo de Paris em 2021 — foi o último integrante do G20 a fazer isso — e definiu a meta de zerar suas emissões líquidas até 2053. Recentemente, também aprovou sua primeira lei dedicada ao clima.
Na prática, porém, avaliações independentes classificam o compromisso climático turco como "criticamente insuficiente".
A meta apresentada pelo país permite que as emissões continuem crescendo até o final da década de 2030, antes de começarem a cair — um ritmo considerado incompatível com os objetivos do Acordo de Paris.
Um dos motivos é o carvão: a Turquia é hoje o maior gerador de eletricidade a partir de carvão da Europa, e o combustível responde por uma parcela significativa da geração elétrica do país, em parte importado.
Mesmo assim, a Turquia também aposta em exploração de petróleo e gás e numa usina nuclear construída com participação russa — o que, segundo analistas, aumenta sua dependência energética externa em vez de reduzi-la.
A Turquia entra ainda numa lista que tem se repetido nos últimos anos: assim como aconteceu em conferências recentes sediadas no Azerbaijão, nos Emirados Árabes e no Egito, a próxima cúpula do clima volta a ser realizada num país com forte dependência de combustíveis fósseis ou com histórico de restrições à liberdade de protesto — o que já gera questionamentos de organizações de direitos humanos sobre o espaço que ativistas climáticos terão durante o evento.
Os EUA, ausentes pela primeira vez
Do outro lado, os Estados Unidos vivem um momento simbólico na relação com a diplomacia climática.
Praticamente todos os outros países do mundo, incluindo nações com poucos recursos diplomáticos, mantiveram representação no evento — o que tornou a ausência americana ainda mais notável.
Como mostrou o g1, essa ausência não é um caso isolado. Ela acompanha uma série de mudanças internas nos Estados Unidos: cortes em programas e incentivos federais ligados à energia limpa, revisão de regras ambientais sobre emissões de veículos e indústrias, e o fechamento do setor do Departamento de Estado responsável por coordenar a participação americana nas negociações climáticas internacionais.
Emissões de uma usina a carvão aparecem contra o pôr do sol em Kansas City, Missouri, em 1º de fevereiro de 2021.
AP/Charlie Riedel
Na prática, o país ficou sem uma estrutura dedicada a representar seus interesses nesse tipo de discussão.
Apesar disso, é importante destacar que a ausência é do governo federal, não do país como um todo.
Diversos governadores e prefeitos americanos, reunidos em uma coalizão que existe desde 2017, marcaram presença na conferência por conta própria, como forma de mostrar que parte dos Estados Unidos continua engajada na agenda climática, mesmo sem o aval de Washington.





