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Resolução inédita aprovada pelo Congresso dos EUA aumenta pressão sobre Trump no conflito com Irã; o que acontece agora

Donald Trump
AFP via Getty Images via BBC
O Senado dos Estados Unidos aprovou na terça-feira (23) uma medida exigindo que o presidente americano Donald Trump suspenda a guerra no Irã ou busque aprovação do Congresso antes de continuar a ação militar.
Mas a resolução é em grande parte simbólica porque, mesmo após ser aprovada por ambas as casas do Congresso, ela não será enviada a Trump para sua consideração e não tem força de lei.
Um grupo de republicanos juntou-se aos democratas na votação da medida, que foi aprovada no Senado por 50 votos a 48. A mesma medida havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes dos EUA no início deste mês.
A aprovação acontece em um momento em que alguns republicanos no Congresso expressam ceticismo sobre o plano de paz anunciado por Trump com o Irã, que deu início a negociações entre as partes.
Trump criticou a resolução na noite de terça-feira, chamando-a de "inoportuna e sem sentido".
"Então, eu tenho o Irã 'nas cordas', pronto para cair. e o Senado dos EUA decide realizar uma votação da Lei de Poderes de Guerra mal programada e sem sentido", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"Esses senadores acabaram de tornar meu trabalho mais difícil, mas eu vou concluí-lo, de uma forma ou de outra, porque eu sempre concluo!"
A votação marca a primeira vez em que ambas as casas do Congresso aprovaram uma resolução conjunta instruindo um presidente a encerrar uma ação militar desde que a Lei de Poderes de Guerra de 1973 foi promulgada.
Uma resolução conjunta expressa o sentimento ou a vontade do Congresso, ao contrário de outras formas de legislação que são encaminhadas ao presidente para serem sancionadas como lei. Em 2019, Trump vetou uma resolução conjunta que pedia a retirada das Forças Armadas da guerra civil do Iêmen.
A analista do Oriente Médio Laura Blumenfeld disse que isso é "mais uma reprimenda simbólica do que uma sanção de fato, porque não tem força legal".
Mas ela disse à BBC que acredita que isso "reflete o sentimento do povo americano".
A aprovação da resolução conjunta é significativa porque aumenta a pressão sobre a Casa Branca para encontrar um fim para a guerra com o Irã, que é impopular entre os americanos após o aumento dos preços da gasolina.
A mesma medida foi aprovada no início deste mês pela Câmara dos Representantes dos EUA, onde quatro republicanos se juntaram a todos os democratas para aprová-la por 215 votos a 208.
Mas uma fonte da Casa Branca disse à BBC que, com o cessar-fogo acordado em 7 de abril, não há hostilidades das quais retirar as forças americanas.
Ela também disse que a medida só foi aprovada porque dois senadores republicanos estavam ausentes: Mitch McConnell e Dave McCormick.
Quatro senadores republicanos votaram com os democratas em apoio à resolução: Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Bill Cassidy.
O senador democrata John Fetterman foi o único membro de seu partido a votar contra.
Este foi o mais recente sinal de divisão entre os republicanos aliados de Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão se o partido conseguirá manter suas estreitas maiorias em ambas as casas do Congresso.
Alguns republicanos têm se manifestado contra o presidente recentemente — ao aprovarem ajuda para a Ucrânia e rejeitarem um fundo de US$ 1,8 bilhão que Trump quer criar para indenizar pessoas que alegam ter sido perseguidas politicamente pelo governo.
A votação de terça-feira foi a décima vez que os democratas no Senado provocaram uma votação sobre poderes de guerra desde o início do conflito.
Ela ocorreu no mesmo dia em que o Pentágono pediu ao Congresso cerca de US$ 80 bilhões em recursos, a maior parte para pagar pela guerra com o Irã.
A lei federal exige aprovação do Congresso para continuar ações militares por mais de 60 dias. Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã começaram em 28 de fevereiro, embora o governo Trump tenha argumentado que o cessar-fogo de abril reiniciou a contagem.
A Casa Branca também pode estender o prazo por mais 30 dias, citando segurança nacional.
Atualmente, os EUA e o Irã concordaram em manter um cessar-fogo e estão trabalhando para encerrar as hostilidades sob um memorando de entendimento que foi assinado pelos presidentes de ambos os países na semana passada.
De acordo com esse memorando, Washington e Teerã têm 60 dias para negociar um acordo mais amplo para encerrar o programa nuclear do Irã.

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