De acordo com o MP, João Antônio estava na base da ponte no momento do salto de Maria Eduarda e removeu a câmera que ela segurava. A câmera, que ainda não foi encontrada, é considerada essencial pelos investigadores para a reconstrução do caso.
"João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, posicionado na base da estrutura com função operacional durante o evento, detinha condições objetivas de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e de comunicá-la à equipe no topo por meio de rádio, comunicação que, em tese, não foi realizada. Ademais, aproximou-se do corpo da vítima imediatamente após a queda e removeu a câmera GoPro que ela segurava, praticando conduta de supressão de elemento probatório central à investigação", disse o Ministério Público.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, João negou em depoimento que tenha retirado a câmera da vítima.
"Assim que aconteceu a queda, uma testemunha teria se aproximado da beirada da ponte e visto a Maria Eduarda com a câmera na mão e, segundos depois, um indivíduo retirando a câmera dela. Contudo, quando ele [João] foi ouvido, ele menciona que ele foi apenas checar o batimento cardíaco e que ele não retirou a câmera. Mas, diante da testemunha presencial que viu ele retirando a câmera da mão da vítima, foi necessária a prisão temporária dele para averiguar os fatos", destaca Levy.
Em relação à Evelyne, o Ministério Público aponta que ela era a organizadora do grupo e que destruiu prova digital ao excluir uma conta de rede social.
"Evelyne dos Santos Gonçalves, na condição de organizadora e "CEO" do grupo 'Entre Cordas', detinha o domínio pleno da estruturação do evento, assumindo, em tese, o risco da produção do resultado letal ao permitir a realização de atividade de elevado potencial ofensivo sem observância de protocolos mínimos de segurança. Destruiu prova digital de relevância inequívoca ao excluir a conta de Instagram do grupo imediatamente após o óbito."
Já sobre Gabriel, o documento cita que ele fugiu do local logo depois da tragédia e que até então, antes de ser preso, não havia se apresentado às autoridades.
"Gabriel Barros Martins, integrante da equipe organizadora e executora do evento, evadiu-se do local logo após o ocorrido sem prestar quaisquer esclarecimentos às autoridades policiais."
Suspeitos de apagar conteúdos digitais e de desaparecer com a câmera que gravava o salto que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, em Limeira (SP)
Wesley Justino/EPTV
Primeiros presos indiciados
A Polícia Civil concluiu na segunda-feira o primeiro inquérito que investiga o caso e indiciou por homicídio com dolo eventual os três homens presos logo após a morte da jovem. Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte:
Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos Os três tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba (SP) para o CDP II de Guarulhos (SP) para terem a integridade física resguardada, segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa dois dos instrutores.
Na semana passada, a Justiça negou pedido de habeas corpus.
Morte de jovem em rope jump sem corda: três homens serão investigados por homicídio com dolo eventual
Reprodução
O que dizem as defesas
A defesa de Luis Felipe e de Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso. Segundo ela, tratava-se da prática de um grupo idôneo e que o ocorrido foi "uma fatalidade inexplicável".
"Para a defesa é homicídio culposo. Eles jamais tiveram a intenção ou sequer correram o risco de matar", afirma o advogado Rafael Gomes dos Santos.
Já a defesa de Vitor disse que recebe com cautela a informação acerca do indiciamento e ressalta que não teve acesso à íntegra do inquérito policial nem a totalidade dos elementos de prova produzidos durante a investigação.
"De toda forma, a defesa registra que possui relevantes divergências técnicas em relação à capitulação atribuída ao caso, especialmente no que se refere à caracterização do dolo eventual, questão que será enfrentada oportunamente pelas vias processuais adequadas, após a análise completa dos elementos probatórios", citam os advogados Jader Santos e Olga Popoviche.
A defesa de João disse que ele não participou da execução do salto e que prestou auxílio imediato à vítima, além de ter colaborado com as autoridades. Quanto à câmera, afirmou que também tem interesse na localização do aparelho.
A defesa de Eveliny citou que está confiante na inocência dela, destacou que a cliente tem colaborado desde o início com as investigações e que os fatos estão sendo apurados.
Já a defesa de Gabriel pontuou que irá se manifestar apenas no processo.
A tragédia
Imagens gravadas por um novo ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, é lançada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto em Limeira (SP), sem o uso de cordas de segurança durante a prática de rope jump. A jovem morreu após a queda.
Poucos segundos após a jovem ser arremessada da estrutura, a reação de quem acompanhava o salto na Ponte do Esqueleto muda. Nas imagens, é possível ver que algumas pessoas caminhavam mais agitadas enquanto alguém diz: "Gente, a corda!".
Ao mesmo tempo, o vídeo registra falas de outras pessoas, com som mais distante na gravação, que também mencionavam o equipamento de segurança.





