Dois presos morrem em confusão em penitenciária de Potim
A rebelião que terminou com a morte de dois detentos na Penitenciária I de Potim (SP), no último fim de semana, teve início após duas mulheres terem a entrada barrada na cadeia durante o dia de visitas, segundo boletim de ocorrência da Polícia Civil.
O caso foi registrado no sábado (20), no pavilhão 5 da unidade prisional, e mobilizou equipes da Polícia Penal, além do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar. Ao todo, dois detentos morreram e outros quatro ficaram feridos durante a ocorrência – leia mais abaixo.
De acordo com o boletim, o episódio começou após duas visitantes terem a entrada negada por suspeita de que traziam algo ilícito no corpo, durante a revista corporal com scaner, que identificou algo suspeito nelas. A revista com o equipamento é padrão de segurança adotado na entrada da unidade.
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Diante da suspeita, o acesso das mulheres foi proibido, o que gerou reação de detentos. Ainda segundo o documento, após a negativa, presos que são companheiros das mulheres barradas passaram a ameaçar servidores e iniciaram o motim dentro do pavilhão.
Rebelião em Potim começou após visitantes terem entrada barrada, diz Polícia Civil
Arquivo pessoal
O boletim aponta que os detentos Anderson Luiz Cesário, conhecido como “Batata”, e Gabriel Nogueira Carvalho de Jesus teriam comandado a rebelião. Eles são citados como responsáveis por coordenar a violência, impor exigências à administração e influenciar outros presos durante a crise.
"Companheiros das referidas visitantes passaram a ameaçar os servidores e a afirmar que, caso as visitantes não fossem autorizadas a ingressar no estabelecimento, iniciariam a execução de outros detentos e manteriam familiares presentes no local sob restrição de liberdade", afirma o boletim.
Ainda segundo o boletim, os presos passaram a exibir objetos cortantes improvisados, como pedaços de vergalhões, pedaços de metal, plásticos duros e fragmentos de espelho quebrado, com ameaças de morte e impondo prazos para que as visitantes fossem admitidas na unidade, afirmando que, a cada intervalo de tempo estipulado, uma nova vítima seria executada.
Consta no documento que detentos foram amarrados e mantidos sob extrema violência física, sendo golpeados com socos, chutes e objetos cortantes.
Após o assassinato de dois detentos, os outros presos mutilaram os corpos e chegaram a colocar fogo em uma das vítimas. As duas mortes ocorreram entre a tarde de sábado e o início da noite, no momento mais crítico da rebelião.
Penitenciária I de Potim
Pedro Melo/TV Vanguarda
Um dos homens mortos era o detento Gustavo Santos Lima Lourenço, de 24 anos. Ele foi preso em agosto de 2025 com 1 kg de cocaína na Rodovia Dom Pedro I, em Campinas e estava preso na P1 de Potim desde setembro do ano passado. O homem foi condenado por tráfico de drogas em fevereiro e cumpria pena de 5 anos e 10 meses de prisão no regime fechado.
Já o segundo detento que morreu é Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos. Ele cumpria pena por roubos, estelionato e furto qualificado. Somados os crimes cometidos, ele cumpria pena de 42 anos e 11 meses de prisão em regime fechado. Não há informações sobre há quanto tempo ele estava na cadeia em Potim.
Durante o motim, a Polícia Civil informou que 14 mulheres e uma criança que estavam no local durante o período de visita chegaram a ter a saída impedida dentro do pavilhão. O grupo permaneceu no interior da unidade até o avanço das negociações, sendo liberado somente na manhã de domingo (21), quando a situação foi controlada.
As negociações foram conduzidas pela Polícia Penal com apoio do GATE e da Polícia Militar. A crise terminou por volta das 6h de domingo (21), quando os detentos envolvidos se renderam e o controle da unidade foi restabelecido.
Após o encerramento da ocorrência, a Penitenciária I de Potim passou por uma revista geral, e as visitas foram suspensas por questões de segurança.





