Além do aspecto estético, a condição costuma provocar sintomas físicos, como dor, sensação de peso, inchaço, cansaço e sensibilidade ao toque. Hematomas espontâneos também são comuns. O diagnóstico é clínico e depende da avaliação de um profissional com experiência na doença. Ainda assim, há grande desconhecimento, inclusive entre médicos.
"Há alguns exames que nos auxiliam, nos direcionam, mas não dá para fechar o diagnóstico de lipedema e sim para complementação de outros diagnósticos diferenciais", afirma.
Gravidez e menopausa podem ser gatilhos A origem do lipedema envolve fatores genéticos e hormonais, e a estimativa é de que cerca de 12% das mulheres tenham a doença. A puberdade, a gravidez e a menopausa são descritas como possíveis gatilhos para o agravamento dos sintomas.
“Os gatilhos para a piora dos sintomas geralmente estão ligados às fases da vida da mulher em que há oscilação hormonal. Isso acontece na menarca, na primeira menstruação, durante a gravidez, na menopausa ou em tratamentos com influência hormonal”, explica a cirurgiã vascular.
O quadro pode estar associado a outras condições, como varizes, que estão presentes em cerca de metade das pacientes, embora nem sempre haja comprometimento vascular. O tratamento visa controlar a doença e melhorar a qualidade de vida, adotando uma alimentação equilibrada, com restrição de alimentos considerados inflamatórios — como glúten, açúcar, álcool, ultraprocessados.
Atividade física ajuda a combater sintomas
A prática de atividade física também é recomendada, especialmente exercícios de baixo impacto, como hidroginástica, natação e caminhada na água. “O tratamento não envolve uma única solução específica. Muitas mulheres chegam buscando, por exemplo, a lipoaspiração, dizendo: ‘tire essa gordura, porque a dor incomoda muito e limita a qualidade de vida’", explica a cirurgiã.
"É importante entender que se trata de uma doença sem cura. Muitas pacientes são acompanhadas de forma conservadora, ou seja, com tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia. Inclusive, hoje, muitos cirurgiões plásticos também concordam com essa abordagem, destacando a importância de desinflamar essa gordura”, explica.
A fisioterapia, com técnicas específicas de drenagem linfática, pode contribuir para aliviar sintomas. O uso de meias ou leggins de compressão entre outras terapias também ajuda a controlar o desconforto e a dor. A utilização de canetas emagrecedoras é alvo de estudos, mas ainda sem indicação formal para o lipedema.
A falta de informação também abre espaço para tratamentos alternativos, com promessas de resultados rápidos. A especialista alerta para a importância de acompanhamento médico e pede cautela com soluções “milagrosas” divulgadas nas redes.
A cirurgiã reitera que existem muitas soluções médicas que ajudam a minimizar o desconforto. "As pacientes descrevem o diagnóstico e tratamento como 'libertador'", resume a especialista.





