Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Esquerda x direita: veja como está o mapa da América do Sul após a eleição presidencial na Colômbia

Com o aumento das receitas, algumas gestões conseguiram investir em programas sociais e políticas de redistribuição de renda.
"Os produtos de exportação da América Latina, agrícolas ou minerais, estavam muito valorizados no mercado internacional. Isso deu muito dinheiro na mão dos governos, e alguns presidentes conseguiram usar esse dinheiro de uma maneira muito boa", afirma Santoro.
➡️ A professora Regiane Nitsch Bressan explica que, após a crise econômica mundial de 2008, as commodities começaram a perder valor, o que dificultou a permanência dos governos progressistas. Na década seguinte, o campo conservador voltou a ganhar espaço — movimento que também ocorreu em outras partes do mundo.
"A gente não pode deixar de observar que há uma grande força da direita, e isso não acontece só na nossa região. Esse movimento começa, eu diria, no Reino Unido, com o Brexit, que foi uma grande prova de que a esquerda estava perdendo espaço", diz.

"Depois, esse avanço se espalha para a Europa, chega aos Estados Unidos e, em seguida, à América Latina, onde ainda encontra muito espaço."
Em 2015, a América do Sul tinha oito governos alinhados à esquerda e quatro à direita. Três anos depois, o cenário se inverteu, com avanço dos conservadores.
Essa tendência recuou a partir de 2020, após a pandemia.

A partir de 2026, seis países são governados por líderes de esquerda e seis pela direita.
Democracia e instabilidade
Manifestantes ateiam fogo em Tribunal Eleitoral de Sucre, na Bolívia, após denúncia de fraude na eleição presidencial de 2019
Jose Luis Rodriguez/AFP
Mesmo com o avanço nas últimas décadas, a América do Sul ainda enfrenta desafios para consolidar as instituições democráticas. O índice de democracia do instituto sueco V-Dem mostra que a região passou por altos e baixos nos últimos 100 anos. Veja no gráfico mais abaixo.
😡 A professora Regiane Nitsch Bressan destaca que a instabilidade democrática na região tem raízes estruturais. Segundo ela, os problemas de desigualdade e pobreza são ameaças constantes por alimentarem a descrença nas instituições.
"O povo latino-americano, por estar cansado das instituições democráticas, é muito seduzido por governos populistas ou neopopulistas. Ou seja, aqueles governos que apresentam frases de efeito e dizem que vão resolver o problema a curto prazo", afirma. O fenômeno do avanço da extrema direita se repete em outras partes do mundo.
Discursos nesse sentido aparecem em líderes tanto de direita quanto de esquerda.

Como exemplo, a professora cita Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, e Javier Milei, atual mandatário da Argentina.
Ainda segundo ela, pesquisas recentes mostram que parte da população latino-americana prefere governos que ofereçam soluções econômicas rápidas, mesmo que sejam autoritários.
Bressan avalia que o problema não está na ideologia política, mas no risco de surgimento de regimes autoritários.
“Eu elejo um político de esquerda com esse discurso e ele não resolve o meu problema. Então vou lá e troco por um de direita. Essa alternância tão pendular facilmente se move para governos autoritários.”
🤜 Também se somam a esse cenário outros desafios, como o confronto crônico entre Executivo e Legislativo — comum em regimes presidencialistas — e o uso político da Justiça em disputas de poder, o que enfraquece o Estado de Direito e esvazia as instituições.
“O processo de redemocratização na América Latina ainda é muito jovem, e nós ainda não demos conta de fortalecer e consolidar as nossas instituições democráticas”, afirma.

O cientista político Maurício Santoro complementa dizendo que, atualmente, um dos principais fatores de preocupação é a polarização. Segundo ele, lideranças de diferentes espectros ideológicos têm se tornado mais extremas em suas propostas e perdido a capacidade de diálogo. O Uruguai é exceção —onde direita e esquerda se revezam no poder sem presença de extremos.
“A polarização regional está inviabilizando iniciativas de integração e respostas unificadas a desafios políticos e de segurança, como o avanço do crime organizado e até mesmo a longa crise venezuelana.”
🌎 Santoro avalia ainda que a instabilidade política dos últimos anos na América do Sul faz parte de uma crise global mais ampla, que também afeta países da Europa, além dos Estados Unidos.
VÍDEOS: em alta no g1
Veja os vídeos que estão em alta no g1

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore