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Entenda o outro confronto entre Argentina e Áustria: quem protege (e quem libera) seus glaciares

Proteção de glaciares: Argentina e Áustria adotam leis opostas
Nesta segunda-feira (22) Argentina e Áustria entram em campo em Arlington, no Texas (EUA), pela segunda rodada do Grupo J da Copa do Mundo de 2026.

São dois países de forte tradição montanhosa — e, fora dos estádios, essa característica geográfica vem alimentando outro tipo de disputa, que tem como protagonistas os glaciares que cobrem suas cordilheiras.
🧊 ENTENDA: Glaciares, também chamados de geleiras, são enormes massas de gelo formadas ao longo de milhares de anos, a partir da neve que se acumula, endurece e se transforma em gelo compacto.

Glacial Perito Moreno, a 90 km de El Calafate, na Argentina
Leonardo Spencer/Viajo Logo Existo/Divulgação
A lógica da norma era simples: protegia-se automaticamente toda essa área, por precaução, sem necessidade de provar caso a caso sua importância.
Neste ano, no entanto, o governo argentino promoveu uma reforma que muda esse princípio.

Pela nova regra, para que um glaciar ou uma área periglacial sejam protegidos, é necessário demonstrar que eles contribuem de forma significativa para o abastecimento de água de uma bacia hidrográfica.

Com a nova regra, projetos de mineração que antes enfrentavam barreiras automáticas por estarem próximos a glaciares passam a ter caminho mais livre para avançar, desde que demonstrem que o impacto sobre a água não é significativo.
A reforma dividiu opiniões dentro do próprio país. Setores ligados à mineração defendem que a regra anterior era imprecisa demais e travava investimentos importantes para economias locais.

Existem ainda as chamadas "zonas de silêncio", áreas criadas há décadas onde novas obras de infraestrutura são, em princípio, vetadas.
Essa proteção, porém, não está livre de pressões. O turismo de esqui é uma atividade econômica relevante para diversas regiões de montanha austríacas, e há anos surgem projetos para ampliar áreas esquiáveis sobre geleiras, especialmente diante da retração da neve em altitudes mais baixas.
Ovelhas caminham em frente ao glaciar Hochjochferner na região de TIrol, na Áustria.
Lisi Nisner/Reuters
O caso mais conhecido envolvia a fusão de duas grandes áreas de esqui sobre o gelo, criando o que seria a maior região de esqui em geleiras da Europa.

O projeto foi rejeitado depois de forte mobilização popular, que incluiu um referendo local contrário à proposta e uma petição assinada por mais de 160 mil pessoas.

Atualmente, outra proposta de expansão sobre um glaciar diferente está em processo de avaliação de impacto ambiental.
Apesar disso, mesmo com essa legislação protetiva, a Áustria não escapa dos efeitos das mudanças climáticas sobre seu gelo.

Levantamentos recentes mostram que praticamente todas as geleiras monitoradas no país estão em processo de retração, algumas perdendo mais de 100 metros de extensão em poucos anos.

Para tentar amenizar esse processo em áreas usadas pelo turismo, algumas estações de esqui chegam a cobrir trechos de geleiras com mantas especiais durante o verão, na tentativa de reduzir o derretimento causado pelo calor e pela exposição direta ao sol.
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