Operação mira transportadora, família de Marcola e influenciadora Deolane Bezerra
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Da ostentação nas redes sociais a uma cela de nove metros quadrados no interior de São Paulo. A prisão de Deolane Bezerra na Operação Vérnix completa um mês neste domingo (21).
A investigação da Polícia Civil de Presidente Venceslau (SP) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) alterou a rotina da advogada e influenciadora.
Este documento traz a análise preliminar dos materiais recolhidos nas buscas e fundamenta a nova fase do processo, que inclui os novos indiciamentos e pedidos de sequestro de bens.
Além da influenciadora, a Polícia Civil indiciou outras seis pessoas no relatório complementar, sendo:
Alejandro Herbas Camacho Júnior (irmão de Marcola);
Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como contador do grupo;
Everton de Souza (Player);
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho de Marcola);
Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), apontado como chefe da facção criminosa;
Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha de Marcola).
Nessa fase, com base nas novas provas, a Polícia Civil formalizou os indiciamentos por lavagem de dinheiro e organização criminosa, e apresentou representações complementares ao Poder Judiciário.
Entre os pedidos feitos pela polícia à Justiça estavam o sequestro cautelar dos veículos apreendidos durante a operação, a ampliação de bloqueios patrimoniais e a custódia judicial de joias e relógios localizados nas diligências.
10 de junho: Deolane é denunciada
Quase 20 dias após a prisão da influenciadora e advogada, o Ministério Público denunciou Deolane Bezerra à Justiça, em 10 de junho. Além de Deolane, outras cinco pessoas foram denunciadas, entre elas Marcola e parentes, com exceção de Eduardo Affonso Rodrigues.
Além disso, a Justiça negou o pedido de Deolane Bezerra para transferência à Sala de Estado-Maior, ou para que a prisão preventiva fosse substituída por prisão domiciliar, e manteve a prisão preventiva em Tupi Paulista.
O Ministério Público reforçou que o pedido de prisão domiciliar não é oferecido nos casos de organização criminosa que opera mediante violência.
16 de junho: Deolane vira ré
Na atualização mais recente do caso, a Justiça de Presidente Venceslau aceitou, em 16 de junho, a denúncia do Ministério Público e converteu a advogada Deolane Bezerra em ré, por organização criminosa e lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
🔎 Ao aceitar a denúncia do Ministério Público, a Justiça torna a pessoa ré e dá início à ação penal. Isso não significa que ela foi condenada. A partir dessa decisão, o processo segue para a fase de produção de provas e apresentação da defesa, até que a Justiça decida se o acusado é culpado ou inocente.
Além dela, também se tornaram réus Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Souza.
Nesta parte do processo, Eduardo Affonso Rodrigues não foi denunciado. O Ministério Público pediu o desmembramento da investigação em relação a ele, e o juiz acolheu o pedido.
Diante disso, o juiz determinou a abertura de um novo inquérito policial para aprofundar as investigações envolvendo Eduardo. A medida foi adotada porque ainda há laudos periciais pendentes, principalmente de celulares apreendidos, além de outras diligências que precisam ser concluídas.
‘Para Deo. Beze.’: mensagens e comprovantes indicam pagamentos para Deolane em esquema do PCC, diz polícia
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Fases da investigação
A Operação Vérnix, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, teve origem em uma investigação que começou há sete anos e contou com quatro fases, as quais revelaram um esquema estruturado de lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa de fachada controlada pela cúpula da facção.
Fase 01
A primeira etapa envolve a descoberta de anotações na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em 2019, indicando tráfico, ligação com chefes do PCC e planos de atentados. Os bilhetes e manuscritos estavam em posse de dois presos.
Fase 02
Depois da análise do material apreendido, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, a poucos metros do presídio de segurança máxima no oeste paulista, que seria usada para lavar dinheiro, com movimentações milionárias incompatíveis com s renda declarada.
Fase 03
Foi na fase 03 que a Operação Vérnix ocorreu. A partir da investigação sobre o esquema de lavagem de dinheiro por meio da transportadora, a polícia encontrou um aparelho celular oculto com um dos operadores do PCC.
A análise de mensagens revelou controle direto do esquema pelos chefes do PCC, com divisão de lucros e uso de intermediários, entre eles Deolane Bezerra e Everton de Souza.
Fase 04
Os relatórios financeiros trouxeram a confirmação técnica da lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, depósitos fracionados e ocultação de patrimônio.
Quem está preso ou foragido atualmente?
Até a última atualização desta reportagem, das seis pessoas consideradas rés, quatro estavam presas e duas eram consideradas foragidas no exterior. Veja abaixo:
Marco Willians Herbas Camacho ("Marcola", "Narigudo", "Ciro"), preso desde 1999, já passou por diversas unidades prisionais e, atualmente, está na Penitenciária Federal de Brasília desde 2022.
Ele foi condenado a 330 anos por diversos crimes e é apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de ser considerado proprietário oculto da Transportadora Lado a Lado, em conjunto com o irmão Alejandro.
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior ("Gordão") está em um presídio federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e, atualmente, está preso na Penitenciária Federal de Brasília. Ele é irmão de Marco Willians e co-líder do esquema.
Everton De Sousa ("Player", "Temer") foi preso na Operação Vérnix em 21 de maio deste ano e, atualmente, está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. Conforme a investigação, ele atuava como operador financeiro de Alejandro, constituindo o elo entre a liderança do PCC e o gestor da empresa de fachada.
Deolane Bezerra Santos, presa na Operação Vénix em 21 de maio deste ano, está atualmente na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, por lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao PCC.
A investigação apontou que ela atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC. A conta no banco dela foi utilizada para o recebimento de depósitos fracionados oriundos diretamente da empresa de fachada, a mando de Everton, agente financeiro de Alejandro.
Além disso, a influenciadora tinha planos de reestruturar suas empresas e enviar recursos para fundos em Dubai, localidade conhecida por abrigar as chamadas “shell companies” (empresas de fachada), usadas para facilitar a lavagem internacional de dinheiro da facção.
Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola, atualmente, está foragida, com informações de que se encontra no exterior. Atuava como mensageira e intermediária de seu pai na gestão dos negócios ilícitos operados pela Transportadora Lado a Lado.
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, filho de Alejandro e sobrinho de Marcola, atualmente, está foragido no exterior. Ele integrou o núcleo financeiro da organização criminosa, sendo indicado por sua irmã Paloma como receptor de parte dos repasses provenientes da transportadora.





