Artista haitiano sonha com vitória histórica contra Seleção Brasileira na Copa
Com quadros hiper-realistas que homenageiam astros do futebol, o artista haitiano Merwens Costner St Fleur, de 27 anos, morador de Jundiaí (SP), traduz em sua arte o dilema de quem carrega duas paixões. De um lado, a admiração pela Seleção Brasileira; do outro, o orgulho de ver o Haiti retornar à Copa do Mundo após mais de cinco décadas.
Ele descreve o confronto como uma “luta contra o que eu amo e o que gosto”, revelando o peso emocional de assistir ao jogo. Para os haitianos, cair no Grupo C ao lado de Brasil, Escócia e Marrocos é um desafio enorme, mas também uma oportunidade de mostrar competitividade e surpreender.
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Merwens acredita que esta é a melhor geração de futebol do Haiti, mesmo diante das dificuldades do grupo. O simples fato de estar novamente na Copa já é motivo de celebração, mas a expectativa é de que o time caribenho consiga “criar sensações” e deixar sua marca no torneio.
"Foram muitos anos de esperanças, eu acredito que essa é a melhor geração de futebol do meu pais, uma pena que caiu em um grupo difícil, mas estamos para mostrar que também podemos ser competitivos e estamos pra criar sensações na Copa", afirma.
Após anos no interior de SP, pintor haitiano sonha com vitória histórica contra Seleção Brasileira na Copa
Reprodução/Merwens St-Fleur
Fuga da guerra e 'gols de ouro'
Após anos no interior de SP, pintor haitiano sonha com vitória histórica contra Seleção Brasileira na Copa
Reprodução/Merwens St-Fleur
No ano que celebra a volta da seleção Haitiana para uma competição a nível global, Merwens decidiu homenagear o atacante Duckens Nazon, craque da seleção e que viveu, em poucos meses, alguns dos momentos mais felizes e também mais tensos da vida.
Se 2025 terminou com a euforia pela classificação do Haiti para a Copa do Mundo e a chance de enfrentar o Brasil na fase de grupos, 2026 começou com o medo da guerra. Principal artilheiro da seleção haitiana, Nazon precisou deixar às pressas o Irã em meio aos bombardeios de Estados Unidos e Israel.
Desde 2025, ele defende o Esteghlal, clube que era líder da Liga do Golfo Pérsico até a interrupção causada pelo conflito. O jogador levou quase três dias até conseguir atravessar a fronteira com o Azerbaijão e relatou ter visto mísseis e explosões ao longo do caminho. A saga foi compartilhada por Nazon nas redes sociais.
"Fiz a pintura do Duckens Nazon porque é um grande nome da história da nossa seleção. Provavelmente vai estar em campo hoje e eu espero que ele consiga se destacar no jogo, assim como já fez em alguns outros jogos", afirma o pintor.
Com 44 gols, o centroavante é o maior goleador da seleção haitiana em atividade, a três gols de se tornar o maior artilheiro da história do país. Merwens destacou o faro de gol do jogador em sua obra.
"Essa tela significa muito. Foi um jogo incrível em que o Nazon chegou a marcar três gols muito importantes que eu considero gols de ouro. Por isso pintei a bola em ouro e o fundo da tela com tudo pegando fogo. Para mim, ele desceu no inferno e arrancou esse empate para nós, haitianos. Foi o jogo mais decisivo da seleção nessa campanha", destaca.
"A presença do Nazon na seleção é primordial, ele é um dos mais experientes ao lado do nosso goleiro Placide e é um cara que pode marcar um gol a qualquer momento", completa.
Quadros para estrelas do futebol
"A arte tem o poder de reunir tanto as cores quanto as pessoas".





